
E de vez em quando descer à gravidade de mim, à profundidade do meu ser. E verificar então que tudo se transfigura. Que é que significa este garatujar quase gratuito, este riso superficial, todo este modo de ser menor? A melancolia profunda, tão de dentro que ela se iguala à alegria sem medida. Espaço rarefeito de nós, é o lugar da grandeza do homem, do que é nele fundamental, o lugar do aparecimento de Deus. Mas Deus não me aparece - aparece apenas a inundação que me vem da infinita beatitude, da grandeza e do assombro. Nós vivemos habitualmente à superfície de nós, ligados ao que é da vida imediata, enredados nas mil futilidades com que se nos enchem os dias. Mas de vez em quando, o abismo da natureza, um livro ou uma música que dos abismos vem, abre-nos aos pés um precipício hiante e tudo se dilui num sentir que está antes e abaixo e mais longe que esse tudo. Há uma harmonia que em nós espera por um som, um acorde, uma palavra, para imediatamente se organizar e envolver-nos. E aí somos verdade para a infinidade dos séculos.
Vergílio Ferreira
12 comentários:
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...sim! Recolher-se na profundidade de si mesmo, fugindo um pouco do aspecto ilusório que tanto nos envolve...
Um texto bastante reflexivo, minha amiga...Gostei de mais!
Beijos de luz e o meu carinho...
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Mundo Azul.Por vezes precisamos de fazer reflexão! sobre tudo que nos rodeia.
Beijinho bfs Lisa
Minininininha Agulheta
Ideia linda essa de trazeres aqui para o teu blogue um texto de um Homem que escreveu «... da minha língua vê-se o mar». Tive o prazer e a honra de o ter conhecido pessoalmente e ter tido cinco longas conversas com ele. Isto por 1981 a 1982.
Anos mais tarde, mais precisamente em 1992 voltei a encontra-lo para lhe dar apertado abraço: acabara de lhe ser atribuído o Prémio Camões. Justíssimo.
Vejo também outro conhecido e, desta feita, Amigo: o Mia. Basta. Há muito mais para ver e sentir. Mas, chega. Olha Agulheta,éstou feliz por te encontrar e já sou teu seguidor.
Espero por ti na Minha Travessa. Amor com Amor se paga. E às vezes até pega - e não é gripe A. Lá, podes conhecer-me, sem te assustares... hahahahaha
Qjs = queijinhos = beijinhos
OLÁ QUERIDA LISA, MARAVILHOSO TEXTO... BOM FIM DE SEMANA... ABRAÇOS DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA
Lisa,
Este texto convida mesmo a reflexão, especialmente quando nos lembra a presença de Deus em nós, que por vezes se manifesta na simplicidade de uma visão que nos emociona, uma amizade e um carinho que nos toca...
Obrigada por publicar tão belo texto!
Beijinhos de além mar prá ti!
♥
Boa escolha esta, Lisa.
Um convite à reflexão pelas palavras de Virgílio Ferreira.
É tempo de o fazer.
Beijinhos
Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
(Charles Chaplin)
Hoje passando para desejar um final de semana com muito amor e carinho.
Abraços do amigo Eduardo Poisl.
Maravilhoso, tanto o belo texto de Virgilio Ferreira, como a tua imagem tão Primaveral.
É bom fazermos uma reflexão sobre tudo o que nos cerca neste Mundo.
Desejo-te minha querida Lisa um lindo fim-de-semana.
Sente o meu abraço apertadinho e um muito obrigada pelas tuas palavras que me deixam sempre muito feliz,
Ana Paula
Lindo mesmo amiga
obrigada pelo apoio eu estou um pouquinho melhor
Beijocas
Querida Amiga:
Adorei o texto de Virgilio Ferreira... "Espaço rarefeito de nós, é o lugar da grandeza do homem, do que é nele fundamental" Sim um bom tema de reflexão neste fim de semana de Maio e lembrar Novembro... Linda a foto.
Beijos
Lisa
Nós vivemos habitualmente à superfície de nós, ligados ao que é da vida imediata, enredados nas mil futilidades com que se nos enchem os dias...Como tudo isto é verdade, Lisa.
Tenho uma grande parte da obra do Virgílio Ferreira, um escritor de quem gostava - e gosto - muito.
Um bom fim de semana para ti.
Um beijo
Lindo este texto amiga. E muito bom para pensar não só em nós mas tb nos que nos rodeia.
Adorei
Bjinho
Céci
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