Em cada amanhecer perguntamos a nós próprios como será o mesmo, de sol, chuva, ou ventania que nos faça levar para longe os pensamentos maus, e os momentos. Penso que em cada acordar já é uma aventura actual, não é que me preocupe a bolsa porque não faço parte dela, mas me preocupa sim, o que a envolve e todas as tramoias feitas, nas nossas costas que pairam no ar que nos leva por arrasto. Sim porque esta coisas de ser honesto e digno, está a ficar fora de moda.
Mais corruptos se desejam para nos levar a todos a pobreza isso sim?
E com isto desejo bom fim de semana a quem passar por aqui.
imagem: jorgemiguelcs.wordpress.com/
sexta-feira, novembro 21, 2014
terça-feira, novembro 18, 2014
Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
Eugenio de Andrade
quarta-feira, novembro 12, 2014
É sempre bom falar de futuro, para todos este poema que escolhi, gostei bastante.
FUTURO
É preciso que exista, enfim, uma hora clara,
depois que os corpos se resignam sobre as pedras
como máscaras metidas no chão.
Por entre as raízes, talvez se veja, de olhos fechados,
como nunca se pode ver, em pleno mundo,
cegos que andamos de iluminação.
Perguntareis: “Mas era aquilo, o teu silêncio?”
Perguntareis: “Mas era assim, teu coração?”
Ah, seremos apenas imagens inúteis, deitadas no barro,
do mesmo modo solitárias, silenciosas,
com a cabeça encostada à sua própria recordação.
Cecília Meireles
in Mar Absoluto
FUTURO
É preciso que exista, enfim, uma hora clara,
depois que os corpos se resignam sobre as pedras
como máscaras metidas no chão.
Por entre as raízes, talvez se veja, de olhos fechados,
como nunca se pode ver, em pleno mundo,
cegos que andamos de iluminação.
Perguntareis: “Mas era aquilo, o teu silêncio?”
Perguntareis: “Mas era assim, teu coração?”
Ah, seremos apenas imagens inúteis, deitadas no barro,
do mesmo modo solitárias, silenciosas,
com a cabeça encostada à sua própria recordação.
Cecília Meireles
in Mar Absoluto
terça-feira, novembro 04, 2014
Já Novembro entrou e logo peguei ao colo a sua entrada, vinha
de folhas caídas, ar de frio e sol furtivo. Tentei segurar o calor, mas logo se
desvaneceu no beiral da janela, onde se aconchegou um pardal descuidado. Tremia
como varas verdes do ramo que deixou ficar para trás, procurou o calor do lar,
que lhe saltou do olhar ao passar por ali. Me encantou com o chilrear, sai pela
manhã e volta a tardinha para recolher no beiral, ora da janela ora do telhado.
Lisa



