
Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés-do-chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês de junho, esse mês que inaugura o Inverno. Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral. Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba. Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo, o meu cabelo, a minha roupa, e também aquilo que encerrava o todo, o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque. E depois comecei a escrever...
Marguerite Duras
4 comentários:
..."vou começar a escrever para me curar da mentira"...
Será que escrever nos tira deste mundo de mentira e hipocrisia, Lisa?
Então eu não vou parar....
Beijinho, Lisa
Li o post anteiro dedicado a Pablo Neruda, de quem gosto bastante e agora li este acerca da noite e da escrita!...
Para se escrever temos de nos despojar de muitas coisas...e lavar os trapos, corpo e a alma!
beijos e nada de fogos!...
Chicailheu
Maria. Vamos as duas,muita coisa hipocrisia é o que é,pode ser que escrevendo ficamos mais livres!
Beijinho Lisa
Chica. Tenho momentos,que lavo a alma e escrevo bastante,muitas vezes coisas de memória,uns a tenhem curta! A minha está bem vincada.Agradeço a visita
Beijinho de amizade Lisa
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