Neste dia primeiro de um mês onde cheira a vindima e mosto,
o coração sente uma amarra e o grito amordaçado,
nem o cantar na vindima anima os corações tristes,
e maltratados, a alma de um povo
que gostava de cantar ao som da concertina
onde tudo era partilha até os olhares,
continua vazio e sem esperança,
onde no lagar da vida, cada toque
é um sofrimento, sem alento para continuar.
Lisa
segunda-feira, outubro 01, 2012
terça-feira, setembro 25, 2012
Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, setembro 20, 2012
Dizem que a vida se faz caminhando e um a dia apôs o outro. Mas ultimamente ando inquieta com tanta coisa que leio e vejo ao meu redor, Que apetece dar um grito forte em plenos pulmões que se ouça para além fronteiras, tal é a vontade. Temos uns políticos de treta, mentirosos QB, falsos como judas, hoje dizem uma coisa, amanhã outra, e assim vamos ouvindo a cada dia. Chegou a vez de deixar de ter medo e livrar o nosso país de uma “corja” que só nos vende, vivemos hipotecados, a Alemanha, China a tiram-nos a pele todos os dias, porque a carne já é pouca e qualquer dia só temos os ossos.
Aqui a uns anos quando começou a vir dinheiro da Europa a fundos perdidos tudo se encheu os da gamela, muitos pensaram que um dia não o viriam buscar? Enganaram-se porque eles aqui estão, e não aos que o receberam mas sim a quem trabalha, aos reformados, aos nossos filhos e netos. Depois temos bonecos do presépio que nada dizem no seu pedestal, dava um conselho, acabar com as mordomias de deputados com reforma quando fazem os mandatos, e só receberem quando tiverem 65 anos. Serão mais do que os outros não, carros do estado a nossa custa,telemóveis,cartões.Chega,limpar o que ainda está sujo. É uma vergonha quando a cada dia mais desemprego aflige a sociedade, professores sem colocação e crianças ao monte nas escolas, até um cego vê quanto mais nós as escuras. Estou a ver o povo novamente na rua para pedir justiça, e direitos, depois vêm com a treta na Europa é assim…mas eles ganham mais que nós. Trabalhei para ter a minha reforma e os meus direitos, como tal devem ir buscar aos vigaristas e amigalhaços que tem por o governo, e não atirar pedras ao telhado do vizinho como sempre o fizeram, e nunca olharam para o umbigo, parecem os meninos da 1ª classe e não sabem fazer contas, estamos fritos se não tornarmos a sair para a rua. Estou aliviada do stress que acompanha
Lisa
Foto do google
segunda-feira, setembro 17, 2012
O Setembro deixa em mim recordações tão fortes, o mar que me enlaçava de algas verdes, e se desfazia em espuma, o campanário da igreja tocando ao fim de tarde,
os telhados em tons vermelhos e rosado, gaivotas cansadas esperando.
Hoje me senti assim como elas de cansaço, temos dias que tudo passa como um filme pela cabeça.
O tempo também deixa esta nostalgia em nós, mudanças e sempre a girar de uma forma que não somos capaz de segurar toda a angustia que todos nós passamos um pouco, a incerteza do amanhã.
Queria voltar atrás a outros Setembros onde a esperança ainda vivia de outra forma,e onde os sonhos eram possíveis.
Hoje não sinto o mar, as gaivotas, nem o sino da igreja.
Sinto sim o silêncio neste emaranhar de sentimentos que hoje revivi,
por vezes é tão forte nem sei explicar este sentir e o porquê!Podemos passar por muitos lugares,viver muitas emoções,mas temos algumas que jamais ficarão apagadas.
Lisa



