Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.
Sophia de Mello Breyner Andresen

4 comentários:
Tocante amiga, é com as lágrimas a correrem que te leio Sophia de Mello, palavras muito actuais.
Obrigada pelo carinho deixado em meu cantinho.
Querida não consigo fazer link do teu blogue para colocar no meu, já tentei tantas vezes, porque cabo por me esquecer de ir ao teu blog se não aparece no meu quando publicas.
Beijinho e uma flor
Um grito lancinante neste belíssimo e tão actual poema!
Obrigada pela partilha.
Beijos.
Parece-me que Sophia adivinhava um futuro menos azul para a sua pátria amada...e o exílio é a solução! Foi
ontem e será hoje também!
Estaremos condenados a ser para sempre um povo exilado?
Beijo e bom fim de semana.
Graça
Um Poema muito bonito !
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