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quarta-feira, maio 19, 2010



Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez as margens do regato solitário
onde te miras como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores desse país inventado
onde tu és o único habitante. Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará e esse ar de renúncia às coisas do mundo.
Acorda, amigo, liberta-te dessa paz podre de milagre que existe
apenas na tua imaginação. Abre os olhos e olha, abre os braços e luta!
Amigo, antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca