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quinta-feira, maio 28, 2009

Não posso adiar o coração



Não posso adiar o amor para outro século
não posso, ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda, sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço, que é uma arma de dois gumes, amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas, e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida, nem o meu amor, nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa

domingo, março 02, 2008

Sinais de Fogo



Sinais de fogo, os homens se despedem.
exaustos e tranquilos, destas cinzas frias.
E o vento que essas cinzas nos dispersa
não é de nós, mas é quem reacende
outros sinais ardendo na distância
um breve instante, gestos e palavras.
ansiosas brasas que se apagam logo.



Jorge de Sena


Rabiscado por Agulheta

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Amiga Noite


Olá noite!
Olá minha amiga,
minha companheira e fada madrinha!


Recordas-te
como naquela noite
transpiravas e sopravas,insinuamente,
quando eu,deitado no teu regaço,
jogando pedras à lua
a ti me confessei?


Foi lindo,noite
quem diria,
eu dizer-te que o mais certo,
era morer,sonhando
que nunca morreria


Retalhos do tempo

Rabiscado por Agulheta