
Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
Por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
E nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
Um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
5 comentários:
Excelente este poema que partilhas de Al Berto!!!
(...(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
Jinhos
Adoro a escrita de Al Berto.
Beijito.
Não conhecia o Al berto! :( foi muito bom vir aqui, pk já investigar, rs
Bjinho e obrigada pelo momento
Céci
Ah, como temos algo em comum, eu e esse teu poeta do poema de hoje, como sabemos que a felicidade mora longe e nunca a alcançamos porque ; não saimos do mesmo lugar...
Um beijinho para ti e haja felicidade para todos. laura..
Um belíssimo poema, não conhecia Al Berto, foi bom porque fiquei a conhecer.
Obrigada querida Lisa por este presente que adicionaste.
Um jinho super grande,
Ana Paula
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