
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa
12 comentários:
Lisa,
António Ramoas Rosa é um dos meus poetas preferidos, Os seus poemas são verdadeiras orgias de palavras onde me perco. Este é um deles.
Um abraço
Bonito poema sobre alguem que quer se encontrar.
Abraços
Muito bonito o texto, um pouco sombrio.
Pois é eu devo ter um dedo que adivinha não?
Ainda bem que gostou da música.
Beijinhos
Manuela
Em meio ao não saber fico sem saber o que é saber.
Cadinho RoCo
Excelente poema e a imagem ... linda linda!
Tem um bom fim de semana.
Meg. Pois este poeta é também dos que gosto,agradeço a visita.
Beijinho e bom fim semana
Guilherme sempre é bom encontar alguém,nem que seja um amigo.
Beijinho e bom fim semana
Manuela. Mesmo sombrio como diz; é muito bonito.
A música é linda e agradeço.
Beijinho bom fim semana
Cadinho Roco. Quantas vezes assim ficamos! Sem saber.
Beijinho e bom fim semana
Secreta. Algo se tem que conjugar,imagem e texto,tentei.
Beijinho e bom fim semana
E uma voz aqui chegou e deixou beijinhos e amizade.Beijinho e bom fim de semana amiga.Uma ilha
um dos poemas mais bonitos do antónio ramos rosa!
um beijinho e
bom fim de semana lisa.
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