Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro
terça-feira, novembro 22, 2011
quinta-feira, novembro 17, 2011
Queria navegar num sonho de criança, refrescar os sonhos da minha ternura.Sentir a mão amiga da mãe, quando passa as mãos nos nossos cabelos.Descobrir a paisagem do mar da minha meninice, quando as águas molhavam os meus cabelos loiros. Então sim, navegaria num barco de papel aos sabor das ondas. Levaria comigo pouca coisa, lembranças amor e amizade! Na proa uma gaivota branca como o meu sonho, e lá longe quando um por de sol, que ilumina os sonhos e o mar, poder chegar até ele com a mão, e o tentar agarrar, e não mais o largar
Lisa 17/11/2011
Lisa 17/11/2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
"Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
"Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
sexta-feira, novembro 04, 2011
É bom sentir o abraço calmo e sereno
Aquele que me faz sorrir,como a brisa do mar
O vento na arvore em pleno outono
Sentir o cheiro das flores,o despertar da primavera
O calor do colo da mãe quando nos aconchega em seu corpo
Num forte abraço onde sinto a protecção,
ser gaivota em voo pelo oceano à procura
do sal e areia, na praia do meu contentamento
Lisa



