Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro

6 comentários:
A nossa maior riqueza é ver...
Gosto muito deste poema.
:)
Lindo, muito lindo...
É sempre um afago ao coração ler Pessoa, em qualquer de seus heterônimos.
Obrigada por isso, Lisa.
Beijos e uma linda tarde para você
Olá Lisa
Palavras sábias as de Alberto Caeiro.
Realmente...somos do tamanho do que vemos e não da altura que temos.
Bjs.
Bom reler Alberto Caeiro...aparentemente o mais simples dos heterónimos de Pessoa...
Obrigada.
BShell
Minha querida
Um belo poema de Pessoa que adoro e tenho um filho a interpretar Pessoa num filme sobre a Lisboa de Pessoa.
Deixo um beijinho com carinho e desejo um bom fim de semana.
Sonhadora
Conheço, amiga Lisa.
É dos poemas de Alberto Caeiro que mais gosto e até já o publiquei no rau.
Saudades e beijinhos a ambos.
Ná
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