segunda-feira, dezembro 14, 2009



Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe,
Braço que envolve, palavra que conforta,
Silêncio que respeita, alegria que contagia,
Lágrima que corre, olhar que acaricia,
Desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela
Não seja nem curta, nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura... Enquanto durar

Cora Coralina

domingo, dezembro 13, 2009



Sei que estamos em época de Natal festa da família e das crianças. E porque falar em crianças, pensamos voam alto, e nos leva ao passado triste da mesma época e não a actual. Os portugueses por vezes e alguns, teimam apagar as memórias e tentar passar de lado, do que fazer a ginástica da lembrança na cabeça. E hoje ao vendo noticias, vejo mais uma, que me deixa triste por causa de quem tenta safar ou apagar as mágoas que destruíram famílias e as crianças, com ausência do seu pai em alturas de Natal. Falo em presos políticos, e não é que a memória da antiga Rua José Maria Cardoso, onde era a sede da polícia política…PIDE.Esse edifício, devia sim ser um arquivo da memória, mas como fizeram um condomínio de luxo, a força do dinheiro. Só penso como uma câmara socialista deixa que isto aconteça. Foi neste mesmo edifício, onde esta polícia atirou as pessoas que se encontravam na rua a seguir ao 25 de Abril. Devemos sim cultivar as memórias, e não como sempre acontece, desde há longos anos, safar ou apagar. Estas palavras foram as que saíram como sempre, quando vejo e ouço o que não gosto de ouvir. Só pergunto, como se sentirá as pessoas que forem habitar este condomínio, sem se lembrar das noites de terror e espancamento de pessoas, onde era proibido pensar diferente. O meu país que tudo vende quando lhe cheira a dinheiro, povo sem memória, é um povo triste não se lembra do passado como deveria.
Lisa

Foto:ofuncionariocansado.blogspot.com

sexta-feira, dezembro 11, 2009



NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecto.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão Ferreira

quarta-feira, dezembro 09, 2009



Com o aproximar do Natal as saudades voltam como fantasmas.
Eles me visitam,uns deixam sorrisos,outros ligeiras melancolias
mas um deles deixa uma saudade sem fim,de alguém que foi e não mais volta.O cheiro da canela pelas narinas ao fim da tarde e a bela aletria doce,como o tempo correu,as rabanadas na mesa e uma bela toalha de linho branco,que mais parecia neve,as grandes travessas que fumegavam com as couves e o bacalhau,e tudo em alvoroço em volta da cozinha! E mais tarde na mesa,a alegria dos crescidos e dos miúdos,que não se cansavam de perguntar as horas para irem dormir, e esperar que o fogão arrefecesse para depositar os sapatos e esperar para o dia seguinte... sempre com o brilho do olhar,e dizer,o que será que o Menino Jesus trás para mim logo pela manhã.E como no dia seguinte se ficava feliz com tão pouco,não tinha fitas de cores,mas tinha um amor enorme,os chocolates recebidos e uma boneca pequena,mas que fazia as alegrias das meninas da altura,e para não falar do carrinho de chapa pintada para os meninos,até a tinta não fazia mal...e hoje tudo faz mal,até os sonhos fazem mal a alguns, era assim o meu natal e como os de muitos na altura,e como éramos felizes,com tão pouco?
Lisa