
Com o aproximar do Natal as saudades voltam como fantasmas.
Eles me visitam,uns deixam sorrisos,outros ligeiras melancolias
mas um deles deixa uma saudade sem fim,de alguém que foi e não mais volta.O cheiro da canela pelas narinas ao fim da tarde e a bela aletria doce,como o tempo correu,as rabanadas na mesa e uma bela toalha de linho branco,que mais parecia neve,as grandes travessas que fumegavam com as couves e o bacalhau,e tudo em alvoroço em volta da cozinha! E mais tarde na mesa,a alegria dos crescidos e dos miúdos,que não se cansavam de perguntar as horas para irem dormir, e esperar que o fogão arrefecesse para depositar os sapatos e esperar para o dia seguinte... sempre com o brilho do olhar,e dizer,o que será que o Menino Jesus trás para mim logo pela manhã.E como no dia seguinte se ficava feliz com tão pouco,não tinha fitas de cores,mas tinha um amor enorme,os chocolates recebidos e uma boneca pequena,mas que fazia as alegrias das meninas da altura,e para não falar do carrinho de chapa pintada para os meninos,até a tinta não fazia mal...e hoje tudo faz mal,até os sonhos fazem mal a alguns, era assim o meu natal e como os de muitos na altura,e como éramos felizes,com tão pouco?
Lisa