domingo, setembro 20, 2009



Entre o Mar e Montanha, eu escolherei o Mar! Pela serenidade de pensamento, o esvoaçar das gaivotas no cais. Sim do cais das recordações, do amor e de outros tempos que não voltam.
Dos livros lidos ao fim da tarde, onde via o sol a se esconder, dos passeios de mão dada, dos amigos que partiram e outros que ficaram.Saudade do vento que batia nas fases e onde a maresia nos trazia o cheiro a sargaço e alegria, do brincar na areia em criança, tudo isto lembro do mar.
Da montanha... gosto dela pelo espaço verde do esconder do sol no fim da tarde, onde pensamos que correndo montanha acima o vamos encontrar ali a nossa espera e apanhar nas mãos.O rebentar das árvores no começo da primavera, dos ninhos e tudo que a natureza nos oferece, deitar em verdes prados de erva, nas tardes de verão, o ouvir cantar os grilos...e onde a camomila nos dá o tom do amarelo da amizade.
Sentar na beira do riacho de pés descalços e sentir a água fresca do verão, por tal a montanha tem seus encantos da natureza.
Da chuva eu gosto a minha maneira, algo que muitas vezes não sabemos explicar o sentido, quando ela nos molha o rosto. Tem sua beleza é vê-la bater na vidraça em dias de inverno.Sentar Junto a lareira, e ela a molhar a terra.E nos dias de desanimo nos apetece vir para a rua, abrir os braços virados aos céus e sentir o cair da chuva no corpo, como que seja o lavar das mágoas das nossas desilusões, e de tudo que nos rodeia.
O sol... esse que aquece os meus dias e me faz a alma cantar de alegria e boa disposição, que nos faz saltar da cama logo cedo para desfrutar este prazer que é o sol e a vida, que alguém um dia nos deu com carinho e amor! a isto eu chamo de mãe que é a natureza

sexta-feira, setembro 18, 2009



Para além dos signos

Escrever agora é dispersar os reflexos,
abrir as portas de pedra e repousar no ar.
Ajoelhado junto de um barco ou de uma jarra,
um deus respira e é um puro vazio.
Para além dos signos e no início deles
um sorriso, um fulgor das coisas confiantes.
E nos muros e nos dedos, uma areia
que das nuvens descesse e na distância
a forma de uma braço amante, o sonho do outro.

Antonio Ramos Rosa

quinta-feira, setembro 17, 2009



Amar é Raro

Amar é dar, derramar-me num vaso que nada retém e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés. Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no corpo irmão, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência, fulguração, mas não tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato — o difícil equilíbrio dos amantes! Amar é raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas planícies com a metade do seu pulmão; e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de um irmão que todos os dias o vento esculpe e destrói.

Casimiro de Brito

terça-feira, setembro 15, 2009



Sobre esta praia

Sobre esta praia me inclino.
Praias sei:
Me deitei nelas, fitei nelas, amei nelas
com os olhos pelo menos os deitados corpos
nos côncavos da areia ou dentre as pedras
desnudos em mostrar-se ou consentir-se
ou em tombar-me intentos como o fogo
do sol em dardos que se chocam brilham
em lâminas faíscas de aço róseo e duro.
Do Atlântico ondas rebentavam plácidas
e o delas ruído às vezes tempestade
que em negras sombras recurvava as águas
me ouviram não dizer nem conversar
mais do que os gestos de tocar e ter
na tépida memória as flutuantes curvas
de ancas e torsos, negridão de pêlos,
olhos semicerrados, boca entreaberta,
pernas e braços se alongando em dedos.
Aqui é um outro oceano.
Um outro tempo

Jorge de Sena