sexta-feira, maio 08, 2009

Construir em Vez de Combater



Creio que uma das atitudes fundamentais do homem humano deve ser a de reconhecer em si, numa falta de compreensão ou numa falta de acção, a origem das deficiências que nota no ambiente em que vive; só começamos, na verdade, a melhorar quando deixamos de nos queixar dos outros para nos queixarmos de nós, quando nos resolvemos a fornecer nós mesmos ao mundo o que nos parece faltar-lhe; numa palavra, quando passamos de uma atitude de pessimista censura a uma atitude de criação optimista, optimista não quanto ao estado presente, mas quanto aos resultados futuros. O mesmo terá já dado um grande passo para impedir os ataques, quando aceitar que só puderam existir porque a sua acção não foi o que deveria ter sido; quando se lembrar ainda de que toda a sua coragem se não deve empregar a combater, mas a construir.

Agostinho da Silva

quarta-feira, maio 06, 2009

Mãos Vazias para Agarrar o Mundo



Sei que não te cansas de regar a esperança de um corpo sem bagagem,
de plantar a lembrança de um vulto feliz
da mulher que passa pelos sonhos sem dizer adeus
e faz dos teus olhos um choro sem fim
Sei que não te cansas de ler os sinais
das mãos de um menino sem bagagem
que desliza na solidão dos sentidos
de quem ouve o mar.
Choras ainda, julgas ser a imagem de esperança do mundo,
a imagem das mãos vazias para agarrar o mundo.

Angela Mendes Ferreira

segunda-feira, maio 04, 2009

A Luz levanta-se do Chão



(foto Net)

A luz levanta-se do chão
como a areia da praia na batida do vento,
as cidades espreitam o verão,à janela do azul.
e as árvores abrem-se em vitarais
onde se inscreven as fluências estacionais
que resplandecem no desenho e na figuração



mesclada dos tons que melam o entardecer,
a repique dos sinos,no campanário da vila.
As janelas abrem-se de para em par,
nos quatro rumos,um perfume sava e goivos
sardinheiras e amores perfeitos

Maria Filomena Almeida Cary

sábado, maio 02, 2009

É Noite, Mãe



As folhas já começam a cobrir
o bosque, mãe, do teu outono puro...
São tantas as palavras deste amor
que presas os meus lábios retiveram
para colocar na tua face, mãe!...

Continuamente o bosque se define
em lividez de pântanos agora,
e aviva sempre mais as desprendidas
folhas que tornam minha dor maior.
No chão do sangue que me deste, humilde
e triste, as beijo. Um dia pra contigo
terei sido cruel: a minha boca,
em cada latejar do vento pelos ramos,
procura, seca, o teu perdão imenso...

É noite, mãe: aguardo, olhos fechados,
que uma qualquer manhã me ressuscite!...

António Salvado

Para a minha que já partiu,e para todas as mães,onde eu me incluo, todas merecem a homenagem de seus filhos,para mim, para ti e por todas nós,as flores que qualquer uma gosta.