segunda-feira, julho 14, 2008

Ontem à Noite




Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés-do-chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês de junho, esse mês que inaugura o Inverno. Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral. Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba. Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo, o meu cabelo, a minha roupa, e também aquilo que encerrava o todo, o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque. E depois comecei a escrever...


Marguerite Duras

sábado, julho 12, 2008

Pablo Neruda



Pablo Neruda
Pablo Neruda (Neftalí Ricardo Reyes Basoalto), foi um poeta chileno, um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX, nascido em Parral (Chile) no dia 12 de Julho de 1904, Filho de José del Carmen Reyes Morales, operário ferroviário, e dona Rosa Basoalto Opazo, professora primária, morta quando Neruda tinha um mês de vida. Cônsul do Chile na Espanha (1934-1938) e no México, eleito senador em 1945, foi embaixador na França (1970). Suas poesias da primeira fase são inspiradas por uma angústia altamente romântica. Passou por uma fase surrealista. Tornou-se marxista e revolucionário, sendo, primeiramente, a voz angustiada da República Espanhola e, depois, das revoluções latino-americanas. Faleceu em Santiago (Chile) no dia 23 de Setembro de 1973.

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

sexta-feira, julho 11, 2008

Amigos



Muita gente vai entrar e sair da sua vida,
Mas somente verdadeiros amigos deixaram marcas em seu coração.
Para se segurar use a cabeça:Para segurar os outros use o coração.
Ódio é apenas uma curta mensagem de perigo.Grandes mentes discutem idéias;
Mentes medianas discutem eventos;Mentes pequenas discutem pessoas.
Aquele que perde dinheiro, perde muito;Aquele que perde um amigo, perde muito mais;
Aquele que perde a fé perde tudo.Jovem bonito é um acidente da natureza,
Velho bonito é uma obra de arte.Aprenda com os erros dos outros.
Você não pode viver bastante o suficiente para comete-los todos por se só.
Amigos, eu e você...Você trouxe outro amigo...E nós iniciamos um grupo... seu circulo de amigos...E como um circulo, não tem começo nem fim...
Um presente precioso é este momento agora...
Ontem é Historia. Amanhã é mistério. Hoje é uma dádiva.
Mostre a seus amigos o quanto eles são importantes.

Tudo isto é pouco para uma amiga,da qual gosto bastante e como prova de amizade,e de algum esquecimento,no dia de seus anos.. Para ti carminda

quarta-feira, julho 09, 2008

A Espera do Vento




Espero. Espero o vento. Coloco-me na área aberta entre a areia e o sal. O meu desejo é pólen.,delírio da pedra,labirinto de folhas.É talvez a energia da cinza que me move. Escrevo com três vogais de água pura e quatro palavras de sol branco.
Um sinal desenhado na argila,uma minúscula aranha,uma pequena chama no solo,o tremor do ar,tudo indica que as palavras,entre o sono e o sol,se consumarão com a verde energia do desejo liberto

António Ramos Rosa