
Poeta
Sou poetisa.Por força do destino.
E porque foi no Minho que nasci.
Gerei-me entre giestas, rosmaninho,
Bebi nas suas fontes, recolhi
Na íris dos meus olhos, o fulgor.
Da paisagem mais verde que já vi.
Este meu jeito de cantar, ficou-me
Dos pássaros cantores que lá ouvi.
Povo do meu País: levai meus Poemas.
Apertai-os nas rudes mãos calosas.
Ungi-os do perfume acre da terra.
Mais denso que o das rosas.
Lede-os ao sol, aos campos, as colinas.
Decorai-os depois, naturalmente,
E bebei-lhes o amor da vossa sede.
Sofrei também, sofrei fraternalmente.
O travo do amargor das minhas queixas,
Os sonhos que sonhei e naõ vivi.
Beijai-me neles, que me exaltareis.
Foi para vós que os escrevi
SOLEDADE SUMMAVIELLE