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quinta-feira, julho 03, 2014

Poema

"A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada”

Sophia de Mello Breyner Andresen















domingo, setembro 08, 2013

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos
dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

Cecília Meireles















Foto: carlafranco.files.wordpress.com

sexta-feira, junho 14, 2013

Dança de Junho.

Em silêncio nas coisas embalados
Vão dançando ao sabor dos seus segredos,
Nos seus vestidos brancos e bordados
Raios de lua poisam como dedos
E em seu redor baloiçam arvoredos
Escuros, entre os céus atormentados.

Sophia de Mello Breyner















Foto google.