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sexta-feira, outubro 14, 2011

CANÇÃO DE OUTONO* 
O outono toca realejo 
No pátio da minha vida. 
Velha canção, sempre a mesma, 
Sob a vidraça descida... 
Tristeza? Encanto? Desejo? 
Como é possível sabê-lo? 
Um gozo incerto e dorido 
de carícia a contrapelo... 
Partir, ó alma, que dizes? 
Colhe as horas, em suma... 
mas os caminhos do Outono 
Vão dar em parte alguma! 


Mário Quintana


























Foto colhida do Google

sábado, agosto 06, 2011


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Esconderijos do Tempo
Mário Quintana

terça-feira, setembro 28, 2010



CANÇÃO DE OUTONO

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...
Partir, ó alma, que dizes?
Colhe as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!

Mário Quintana

segunda-feira, maio 24, 2010



PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exacto e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frémito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
subtilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana