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quarta-feira, maio 14, 2014

A Tua Voz de Primavera 

Manto de seda azul, o céu reflete 
Quanta alegria na minha alma vai! 
Tenho os meus lábios úmidos: tomai 
A flor e o mel que a vida nos promete! 

Sinfonia de luz meu corpo não repete 
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai! 
Iguala o sol que sempre às ondas cai, 
Sem que a visão dos poentes se complete! 

Meus pequeninos seios cor-de-rosa, 
Se os roça ou prende a tua mão nervosa, 
Têm a firmeza elástica dos gamos... 

Para os teus beijos, sensual, flori! 
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos, 
Só me exalto e sou linda para ti! 

Florbela Espanca


















segunda-feira, março 19, 2012

Sem dúvida alguma que Florbela Espanca foi uma poetisa que falou de amor como ninguém ,e foi por ele que  muito amou, e pelo mesmo morreu. Amou perdidamente como rege a sua poesia, por ele se perdeu intensamente, nada melhor que ler as palavras e seguir.


"De que vale no mundo ser-se inteligente, ser-se artista, ser-se alguém, quando a felicidade é tão simples! Ela existe mais nos seres claros, simples, compreensíveis e por isso a tua noiva de dantes, vale talvez bem mais que a tua noiva de agora, apesar dos versos e de tudo o mais. Ela não seria exigente, eu sou-o muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas ,  das crueldades.  Eu tenho já feito sofrer tanto!  Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem." 


Florbela Espanca

sexta-feira, março 09, 2012

Suavidade Poisa a tua cabeça dolorida 
Tão cheia de quimeras, de ideal 
Sobre o regaço brando e maternal 
Da tua doce Irmã compadecida. 


Hás de contar-me nessa voz tão q'rida 
Tua dor infantil e irreal, 
E eu, pra te consolar, direi o mal 
Que à minha alma profunda fez a Vida. 


E hás de adormecer nos meus joelhos... 
E os meus dedos enrugados, velhos, 
Hão de fazer-se leves e suaves... 


Hão de poisar-se num fervor de crente, 
Rosas brancas tombando docemente 
Sobre o teu rosto, como penas d'aves... 

Florbela Espanca



















Aos amigos deste blog bom fim de semana com saúde, amizade e sobretudo coisas lindas e sejam felizes a cada dia e momento.
Lisa