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domingo, janeiro 11, 2009

Noite



É de noite que as palavras se soltam,

sem destinos nem contornos,

vagueando plurais em seus sentidos,

omitindo-se e revelando-se.

É de noite que me solto no sentir,

quando no adormecido silêncio

as palavras se fantasiam e libertam.

É de noite que acordo o poema

na sonolência do verbo,

na indigência dos significados,

na suavidade dos desvarios

consumados.

É de noite, na noite de mim,

que diariamente me exponho

nos silêncios libertados.

Helena Monteiro