
Da casa de paredes brancas das minhas raízes, hoje pouco encontro no local. Hoje ao passar por lá vejo montes de caixotes ao alto, onde nem sequer as crianças podem saltar e brincar. O velho quintal de belas árvores, nem existe e lá plantaram mais um pouco de cimento vazio e triste, onde nem os pássaros da manhã os visitam. A poluição sonora é uma constante, se perderam os sons de outrora e os afectos que nas paredes continham. Mas sei que ali vivi e foi feliz em criança, e recordei com saudade. A riqueza de uma vida é feita de recordações e memórias, alguns querem esquecer, eu não, recordo e fico feliz e sorrio só de pensar. De quando em quando estas lembranças chegam até mim, como que fosse projectado na velha tela do cinema. Ainda sinto a velha avó que fazia as lidas da casa como ninguém, quando chegava ao fogão e nos deliciava com os cheiros dos seus cozinhados, e sem falar no cheiro a café pela tardinha, onde o mesmo era tomado numa tigela, e grande; sempre amei a natureza e as suas paisagens, e o meu gosto era saltar para cima das árvores e colher o fruto gostoso que por lá aparecia. E sem falar no serão de família, onde se faziam os bordados e as meias de renda branca, ao som da gaita de boca tocada pelo tio que entretanto partiu, e não mais volta. A televisão viria muito mais tarde, e era a novidade, hoje em dia para mim perdeu encanto e pouco me diz, assim é o tempo. Umas coisas para melhor outras para pior, mas os sinais, e sempre eles o tempo fará historia no coração de um qualquer de nós um dia. Hoje talvez pela chuva que permanece por aqui, nos deixa a melancolia do inverno. E neste recanto da sala ao ver o lume na lareira acesa recordo os momentos da vida.
Liso 12/01/2010
Liso 12/01/2010