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terça-feira, janeiro 12, 2010



Da casa de paredes brancas das minhas raízes, hoje pouco encontro no local. Hoje ao passar por lá vejo montes de caixotes ao alto, onde nem sequer as crianças podem saltar e brincar. O velho quintal de belas árvores, nem existe e lá plantaram mais um pouco de cimento vazio e triste, onde nem os pássaros da manhã os visitam. A poluição sonora é uma constante, se perderam os sons de outrora e os afectos que nas paredes continham. Mas sei que ali vivi e foi feliz em criança, e recordei com saudade. A riqueza de uma vida é feita de recordações e memórias, alguns querem esquecer, eu não, recordo e fico feliz e sorrio só de pensar. De quando em quando estas lembranças chegam até mim, como que fosse projectado na velha tela do cinema. Ainda sinto a velha avó que fazia as lidas da casa como ninguém, quando chegava ao fogão e nos deliciava com os cheiros dos seus cozinhados, e sem falar no cheiro a café pela tardinha, onde o mesmo era tomado numa tigela, e grande; sempre amei a natureza e as suas paisagens, e o meu gosto era saltar para cima das árvores e colher o fruto gostoso que por lá aparecia. E sem falar no serão de família, onde se faziam os bordados e as meias de renda branca, ao som da gaita de boca tocada pelo tio que entretanto partiu, e não mais volta. A televisão viria muito mais tarde, e era a novidade, hoje em dia para mim perdeu encanto e pouco me diz, assim é o tempo. Umas coisas para melhor outras para pior, mas os sinais, e sempre eles o tempo fará historia no coração de um qualquer de nós um dia. Hoje talvez pela chuva que permanece por aqui, nos deixa a melancolia do inverno. E neste recanto da sala ao ver o lume na lareira acesa recordo os momentos da vida.

Liso 12/01/2010