Montes e vales queimados morrendo aos poucos a solidão dos mais velhos.Vergados pela idade, sentem que as forças já são poucas para enfrentar a vida.Seus olhares se perdem na penumbra que a terra queimou, são poucos os jovens que pela serra habitam, fugiram da terra que nada lhes deu, somente o berço ficou guardado na recordação.
A pouca terra que não ficou queimada, já ninguém a cultiva, os braços fortes partiram a muito,o gado é pouco,somente o olhar se perde pelo cansaço da noite e dos dias que custam a passar,parecendo uma eternidade.Os velhos ficam a pensar, como seria bom todos voltarem,sorrisos de criança na escola da aldeia. Assim vão pensando na tristeza de ficar sós e de ver os filhos partirem. Ficarão na soleira da porta onde o seu olhar já cansado se perde no horizonte, e na calçada contrafeita porque ainda não chegou por lá progresso e dignidade, a casa de pedra e colmo ficará por lá, até que chegue novo verão e a volte a queimar, e onde a esperança ficará reduzida a cinzas.
Depois de algum cansaço e dor, apeteceu pegar na caneta e escrever o que senti ao olhar.