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sexta-feira, janeiro 18, 2013
Adágio, meia voz, sombras e fumo.
Inverno, Inverno só. Que resta agora?
Nunca mais a esperança duma aurora,
duma flor ou de um fruto a escorrer sumo.
Barco à deriva, bússola sem rumo,
lá vão, bússola e barco, oceano em fora.
Nem alazão recusa o freio e a espora,
que eu, Sagitário, tudo aceito e assumo.
Vai,de olhos cegos,perseguindo o vento,
que ninguém oiça, queixa nem lamento,
seja de anjo ou demónio a tua queda.
E que da cinza morna e fumegante,
mais uma vez da cinza se levante
uma grande, uma enorme labareda
Fernanda de Castro (obras completas)
