Cidade
Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.
Sophia Mello Bryner

5 comentários:
Adoro tudo o que Sophia escreveu!
Bjs
Que delícia de poema.
Desconhecia.
Beijinhos.
Sophia descreve a vida como ninguém.
A cidade é sempre um muro que nos aperta.
beijinho
Fê
A nossa Sophia
Sophia é sempre uma excelente escolha.
Boa semana
Beijinhos
Maria
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