sexta-feira, fevereiro 26, 2010



Paisagens de Inverno

Ó meu coração, torna para trás.
Onde vais a correr, desatinado?
Meus olhos incendidos que o pecado
Queimou! o sol! Volvei, noites de paz.
Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brasido.
Noites da serra, o casebre transido...
Ó meus olhos, cismai como os velhinhos.
Extintas primaveras evocai-as:
Já vai florir o pomar das maceiras.
Havemos de enfeitar os chapéus de maias.
Sossegai, esfriai, olhos febris.
E havemos de ir cantar nas derradeiras
Ladainhas...Doces vozes senis...

Passou o outono já, já torna o frio...
Outono de seu riso magoado.
llgido inverno! Oblíquo o sol, gelado...
O sol, e as águas límpidas do rio.
Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?
Ficai, cabelos dela, flutuando,
E, debaixo das águas fugidias,
Os seus olhos abertos e cismando...
Onde ides a correr, melancolias?
E, refratadas, longamente ondeando,
As suas mãos translúcidas e frias...

Camilo Pessanha

11 comentários:

franciete disse...

Rio caminho que anda e vai resmungando talvez uma dor
Há quanta pedra levaste e outra pedra deixaste sem vida e amor
Vens lá do alto da serra do ventre da terra rasgando sem dó
Eu também venho dum amor com o peito rasgado de dor tão só
Não viste a flor se curvar teu corpo beijar e ficar lá para trás
Tens a mania doente de olhar só prá frente não voltar jamais
Rio caminho que anda o mar te espera
Não corras assim
Eu sou o mar que espera
De alguém que não corre Para mim.

Grata pela sua constante presença, bom fim de semana e um beijinho de luz em seu coração

Graça Pereira disse...

Não conhecia este poema de Camilo Pessanha, neste melancólico chorar sobre o Inverno e o Outono, evocando lembranças de uma primavera que passou..."Extintas primaveras evocai-as: já vai florir o pomar das maceiras"...Poema lindo pelo seu bucolismo. Belissima escolha!
Um beijo amigo e um bom fds
Graça

Maria disse...

Eu estou solidária com o povo da Madeira, Lisa. Não com a Madeira no seu abstrato. Porque acho que o que aconteceu se deveu a graves erros de ordenamento territorial. E há culpados, que devem ser responsabilizados. Como povo madeirense sim, estou solidária.

Este poema de Camilo Pessanha retrata muito bem o que tem sido este inverno, que de rigoroso tem tudo. Muito bom. Obrigada, Lisa.

Beijinhos

Sonia Schmorantz disse...

Um lindo poema para esta postagem, não o conhecia.
Beijos, ótimo fim de semana

Carlos Albuquerque disse...

Também não conhecia este poema de Camilo Pessanha. É, aliás, poeta de que li muito pouco.
Gostei deste.
Grato por o ter partilhado. Uma das virtudes do nosso bairo blogosférico - vamos sempre somando conhecimentos.
Beijinhos, Elisa, bom fim-de-semana

Braulio Pereira disse...

devagarinho o rio vai
cantando baixinho.
aguas cristalinas
vâo dizendo ais...
surcando caminho..
em seda fina.

optimo fin de semana


beijos!!

Fernanda Ferreira - Ná disse...

Olá querida amiga Lisa,

Conheço muito pouca coisa deste autor, admito com franqueza.
Gostei muito e vou procurar ler mais.

Parabéns pela escolha.

Com o temporal que passamos, nós por aqui até tivemos alguns pequenos estragos, nada demais, mas assustou.
Espero que não volte de noite...

Beijinhos amiga e bfs.
Ná e José

Laura disse...

Onde ides a correr melancolias
que sois parte das tardes frias
recolhei-vos em mim nos tristes dias
que me levaram a percorrer
da dor as cercanias!...

beijinhos mil da laura

Fernanda Ferreira - Ná disse...

Querida aiga Lisa,

Vim deixar-te um beijo e votos de que este tempo não te arrase eu estou a ficar estranha, cansada ...
essencialmente isso.

Aqui por casa o temporal estragou pouca coisa, para já. Esperemos que passe rápido, mas duvido.

Abraços para ambos, dos teus amigos
Ná e José

Agulheta disse...

Aos amigos que aqui vieram comentar...obrigados pelo carinho e amizade presente.Hoje o dia está melhor e foi arejar um pouco,a chuva todos os dias a toda a hora nos deixa nervosos,e perante tanto estrago sentido,ainda mais.
Agradeço o carinho de todos.

Franciete
Graça Pereira
Maria
Sónia
Carlos Albuquerque
Braulio
Fernanada
Laura

Paula disse...

Apesar de melancólico é extraordinário este maravilhoso poema que desconhecia.
LINDOOOOO!!!
Jinhosssssssss