terça-feira, março 18, 2014

Já algumas vezes tinha por aqui escrito que iria manter o blog fechado algum tempo. Agora vai ser de certeza, virei se até lá a disposição for alterada pelos tempos que correm. Se não vier bons ventos de emoções, liberdade, e solidariedade, manterei a minha vontade.Um ano passa rápido e veremos se me sinto melhor do que atualmente, ando apreensiva.

Sejam felizes até um dia com amizade, deste mar de chamas mas principalmente de palavras.

Lisa













Em Balanço

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Dançamos

Eu danço, tu danças, e todos dançamos
uma dança de inquietude
que nos acompanha todos os dias,
nos machuca sentimentos, e
emoções.
E lá andamos neste redopiar
de sentimentos, que uns ocultam e

sofrem, e  não demonstram.
Outros criam barreiras,
só fugindo deste antro
que nos amordaça, e controla até
ao tutano.
É realmente uma eterna dança.


Lisa 27/02/2014


sexta-feira, fevereiro 21, 2014

O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.

A grande amendoeira consente que balancem
suas largas folhas transparentes ao sol.

Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,
os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.

Frontes rendadas de acácias palpitam inquietantemente
com o mesmo tremor das samambaias
debruçadas nos vasos.

Fremem os bambus sem sossego,
num insistente ritmo breve.

O vento é o mesmo:
mas sua resposta é diferente, em cada folha.

Somente a árvore seca fica imóvel,
entre borboletas e pássaros.

Como a escada e as colunas de pedra,
ela pertence agora a outro reino.
Se movimento secou também, num desenho inerte.
Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.

O vento que percorre o jardim
pode subir e descer por seus galhos inúmeros:

ela não responderá mais nada,
hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.


Cecilia Meireles

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

O Amor é o amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor — e depois?

(Alexandre O'Neill)