segunda-feira, julho 04, 2011

UMA MANHÃ

Das palavras que me dissestes aquela manhã
Guardo na lembraça o som de algumas
Amor, que mais me parecia o sol da manhã
Que embora quente, é imcapaz de queimar
Eternidade, que me parecia um pouco exagerado
Seria o suficiente se fosse ao teu lado
Felicidade que me parecia impossivel
Se tornava finalmente algo real para mim

Então como se nada daquilo fosse verdade, você se foi
E ainda me lembro das palavras daquela manhã

Amor, ainda o sinto
Mas o sol da manhã deu lugar a fogo insuportavel
Que queima e sufoca meu peito

Eternidade...
É pra onde caminho com meu sofrimento
Descobri que só o sofrimento perdura por tanto tempo

Enquanto a felicidade
Essa descobri que na verdade nunca existiu...

Arturo Angelin

sexta-feira, julho 01, 2011

Alheias  e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Viam as palavras como águias imensas.
Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.

Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós, em redor de nós as
palavras voam.
E às vezes pousam.

Cecília Meireles












quarta-feira, junho 29, 2011

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .
Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos














E com este pensamento ou forma de o fazer do nosso Pessoa,agradeço aos amigos que por aqui vieram na minha ausência,e como estamos em época de férias,flores e mar,sejam felizes,cada um a seu modo.

segunda-feira, junho 20, 2011

Temos coisas na vida que fazem parte da nossa paixão enquanto pessoa.Gosto de barcos,me fazem lembrar o partir e a chegada, a liberdade de navegar ao sabor das ondas e marés.
Adoro árvores de várias tonalidades de folhagem,de frutos que possa saborear,flores todas sem excepção,campos de girassois,cravinas de um cheiro inigualável,alfazemas,camomila,muitas destas coisas fazem parte da minha infância. Pássaros? Adoro de igual modo,as cores da sua penugem e seu cantar logo pela manhã.Me lembro quando era pequena,me levantar para me sentar num grande quintal da minha avó na relva verde ainda molhada pelo orvalho,só para os ver voar em meu redor e de volta nas árvores dos frutos  para retirar alimento.O meu prazer era somente observar a sua beleza,nunca fiz mal a nenhum.
Como tudo passa rápido,e a liberdade que se tinha era tanta que pensamos que não existia,mas era verdade.O tempo da porta aberta para o vizinho entrar e pedir alguma coisa emprestada a minha mãe e avó? Ou era arroz açúcar,e até café...assim era a vida e muito difícil para alguns.Simples mas de uma felicidade imensa,tenho muita saudade,hoje com tanta coisa a entrar pela porta dentro com publicidade,penso que se perdeu o encanto,não quer dizer que seja saudosista mas que muito mudou é grande verdade.


Lisa