sexta-feira, junho 26, 2009

Fim de Semana



Estirado na areia, a olhar o azul,
ainda me treme o parvalhão do corpo,
do que houve que fazer para ganhar o nosso,
do que houve que esburgar para limpar o osso,
do que houve que descer para alcançar o céu,
já não digo esse de Vossa Reverência,
mas este onde estou, de azul e areia,
para onde, aos milhares, nos abalançamos,
como quem, às pressas, o corpo semeia.



Alexandre O´Neill

quarta-feira, junho 24, 2009

Pequenas Letras



Quando olhares à janela,tenta sempre a companhia perfeita.Conta as estrelas,partilha os sonhos,a esperança.Se o fizeres com amor,a vida é muito melhor.



Caminha lado a lado,em passo certo e seguro,nunca vaciles,procura uma mão de amor ou afecto para o conseguires. Se assim for,podes chegar ao horizonte,e nem a areia da praia te faz doer o caminhar.

Lisa

segunda-feira, junho 22, 2009

Uma Cidade


(foto net)

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso

numa noite
de Junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Albano Martins

sexta-feira, junho 19, 2009

Lugar de Junho



É melhor não dormirmos
sob o árido labirinto da tristeza.
À nossa frente existe um pórtico
purificado por uma névoa de sons.
Vamos transgredir o limiar do absurdo,
porque encontramos um abrigo musical,
onde ninguém pode separar as nossas bocas
o percurso das águas outonais.
É verde o germe do sol nos nossos olhos
e, sem querer, a sombra de um pretexto
emerge do assombro de nós próprios
como um regresso plural da inocência.
Estamos num lugar de Junho
e qualquer sinal de ausência
pode ser apenas um veleiro
que partiu dos nossos dedos

Graça Pires