Dançamos
Eu danço, tu danças, e todos dançamos
uma dança de inquietude
que nos acompanha todos os dias,
nos machuca sentimentos, e
emoções.
E lá andamos neste redopiar
de sentimentos, que uns ocultam e
sofrem, e não demonstram.
Outros criam barreiras,
só fugindo deste antro
que nos amordaça, e controla até
ao tutano.
É realmente uma eterna dança.
Lisa 27/02/2014
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
sexta-feira, fevereiro 21, 2014
O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.
A grande amendoeira consente que balancem
suas largas folhas transparentes ao sol.
Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,
os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.
Frontes rendadas de acácias palpitam inquietantemente
com o mesmo tremor das samambaias
debruçadas nos vasos.
Fremem os bambus sem sossego,
num insistente ritmo breve.
O vento é o mesmo:
mas sua resposta é diferente, em cada folha.
Somente a árvore seca fica imóvel,
entre borboletas e pássaros.
Como a escada e as colunas de pedra,
ela pertence agora a outro reino.
Se movimento secou também, num desenho inerte.
Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.
O vento que percorre o jardim
pode subir e descer por seus galhos inúmeros:
ela não responderá mais nada,
hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.
Cecilia Meireles
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.
A grande amendoeira consente que balancem
suas largas folhas transparentes ao sol.
Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,
os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.
Frontes rendadas de acácias palpitam inquietantemente
com o mesmo tremor das samambaias
debruçadas nos vasos.
Fremem os bambus sem sossego,
num insistente ritmo breve.
O vento é o mesmo:
mas sua resposta é diferente, em cada folha.
Somente a árvore seca fica imóvel,
entre borboletas e pássaros.
Como a escada e as colunas de pedra,
ela pertence agora a outro reino.
Se movimento secou também, num desenho inerte.
Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.
O vento que percorre o jardim
pode subir e descer por seus galhos inúmeros:
ela não responderá mais nada,
hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.
Cecilia Meireles
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
O Amor é o amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!
O amor é o amor — e depois?
(Alexandre O'Neill)
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!
O amor é o amor — e depois?
(Alexandre O'Neill)
segunda-feira, fevereiro 10, 2014
'Chovia e eu estava como numa floresta de harpas'
Chovia e eu estava como numa floresta de harpas:
que musica tocarão meus inábeis dedos nas águas celestes?
Nós somos uns grandes cometas com véus de acontecimentos
arrastados atrás de nós, e cada dia dilatados.
Nós somos uns solitários faróis projetando-nos sobre a noite.
Deixai-me tocar a musica de hoje, inábil, que fica entre o que passou e
o que talvez não venha."
Setembro, 1962
Cecília Meireles
In: Poesia Completa
Foto daqui:www.papeldeparede.etc.br
Chovia e eu estava como numa floresta de harpas:
que musica tocarão meus inábeis dedos nas águas celestes?
Nós somos uns grandes cometas com véus de acontecimentos
arrastados atrás de nós, e cada dia dilatados.
Nós somos uns solitários faróis projetando-nos sobre a noite.
Deixai-me tocar a musica de hoje, inábil, que fica entre o que passou e
o que talvez não venha."
Setembro, 1962
Cecília Meireles
In: Poesia Completa
Foto daqui:www.papeldeparede.etc.br



