quarta-feira, dezembro 14, 2011

Tempo feliz é aquele que nos lembramos de quando éramos crianças.Dizem que os adultos crescem e deixam de ter sonhos e passam ao lado das coisas que o tempo marcou. Não; o tempo passou, ficamos mais velhos, mais sabedoria,mas os momentos ficam.Ainda hoje iria de olhos vendados a alguns lugares onde deixei o coração e pensamento.O cheiro ainda permanece em mim gravado na memória.
Agora depois de alguns cabelos brancos,e cada momento só meu, escrevo o meu livro,onde cada silaba é um pensamento e uma lembrança.
Nesta altura tenho muitas páginas começadas, penso acabar um dia,tarde ou cedo não sei,mas que vou continuar a construir o livro vou.Algumas coisas ficarão para recordar quem por aqui andar falará no meu nome,bem ou mal não importa fica.
Dizem que uma mulher para ser realizada deve ter filhos e escrever um livro,eu escrevo a cada momento,tenho páginas lindas cheias de amor e carinho,aquelas que não importa recordar,porque foram as pedras que atiraram,não conseguiram estragar o amor que sinto por aquilo que me rodeia e assim vai continuar,a essas folhas as amachuco para verem que não tem valor algum...em muitas vão ficar vezes sem conta o nome dos filhos,netos,pais e amor,a esses sim, devo muito da pessoa que sou.

Lisa


sexta-feira, dezembro 09, 2011

"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"


Fernando Pessoa

segunda-feira, dezembro 05, 2011

A Palavra Mágica
Certa palavra dorme na sombra 
de um livro raro. 
Como desencantá-la? 
É a senha da vida 
a senha do mundo. 
Vou procurá-la. 
Vou procurá-la a vida inteira 
no mundo todo. 
Se tarda o encontro, se não a encontro, 
não desanimo, 
procuro sempre. 
Procuro sempre, e minha procura 
ficará sendo 
minha palavra. 

Carlos Drummond de Andrade,

sábado, dezembro 03, 2011

Se todos os rios são doces, de onde o mar tira o sal?
Como sabem as estações do ano que devem trocar de camisa?
Por que são tão lentas no inverno e tão agitadas depois?
E como as raízes sabem que devem alçar-se até a luz e saudar o ar com tantas flores e cores?
É sempre a mesma primavera que repete seu papel?
E o outono?... ele chega legalmente ou é uma estação clandestina?


Pablo Neruda