Para o fim de semana nada melhor que um belo Tango, aquele que muitos lembram e gostam! eu adoro,só me falta o par que dance assim, o meu é um pouco pé de chumbo... é o que tenho. Não se entusiasmem muito, pois este é realmente muito sensual.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
quarta-feira, dezembro 03, 2008
AMIGO

Amigo, toma para ti o que quiseres,
passeia o teu olhar pelos meus recantos,
e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
com suas brancas avenidas e canções.
Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este inútil e velho desejo de vencer.
Bebe do meu cântaro se tens sede.
Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este desejo de que todas as roseiras
me pertençam.
Amigo,
se tens fome come do meu pão.
Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
que sem olhares verás na minha casa vazia:
tudo isto que sobe pelo muros direitos
- como o meu coração - sempre buscando altura.
Sorris-te - amigo. Que importa! Ninguém sabe
entregar nas mãos o que se esconde dentro,
mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
e toda eu ta dou... Menos aquela lembrança...
... Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio...
Pablo Neruda
terça-feira, dezembro 02, 2008
Pensamento

Tarde fria e cinzenta onde o sol se esconde. No crepitar do lume na velha lareira, sinto a falta dos dias que passarem,da falta dos pais e dos avós. Estas são saudades, do aproximar do Natal e da casa cheia, dos cheiros que ficam, e do carinho materno.Os olhos desviam do lume e o pensamento voa alto,como que a dizer vou partir! para não ver a solidão dos outros,a tristeza dos velhos, dos que não tem pão nem lar,dos que desfiam a madrugada ao acaso da desgraça.Sabemos que um só a pensar não pode mudar o mundo,mas se todos pensassem junto!Talvez para fazer um grande elo de esperança e solidariedade. Só sei; que por onde passar,levarei aquela palavra de afecto e a alegria de um sorriso,como um pensamento vadio de um dia a olhar para a velha lareira.
Lisa
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Chamas

Fui eu quem desceu o rio da vergonha pela primeira vez
Despido de qualquer idéia do rebanho
Atarantado e suavizado pela validade da ação
Aos gados, a terra; aos peixes, o mar; as homens, a liberdade
Estava escrito no peito do lúcido e misterioso ancião
Eu mesmo li sem precisar de lentes especiais
Pulsava firme a idéia tal qual nos primeiros anos
E revelava além do que a boca permitia expressar
Enxuguei-me e voltei a pensar nas tardes sombrias
Em um mês pesaroso e cruel
Lembrei-me das obrigações insensatas e inúteis
Agora tão distantes e ainda mais absurdas
Aonde estou, não vejo tantas leis a cumprimentar-me
Capazes de enfastiar até o gado mais estúpido - não fosse a hipnose
Abandonei o chocalho pregado em meu pescoço desde o nascimento
Não quero ser encontrado, localizado, rastreado
Do meu passado, apenas o casco das minhas unhas
Porque a realidade que vivo é a aventura mais humana
Sem posses e sem concessões, sem medo e sem violência
Desperto e renovado, fortalecido e revitalizado
Em chamas para iluminar a consciência que reside em mim
Bernardo Almeida