quarta-feira, dezembro 08, 2010



O natal está próximo,a solidão evade o meu ser nestas alturas.Olho pela vidraça embaciada pela noite que se aproxima,muitas luzes distantes como a marcar o caminho e da noite que se avizinha.É neste momento que me visita, os verdes anos da infância e sinto que estou pobre! De dinheiro... não, dos afectos dos que partiram,daquelas guloseimas que eram distribuídos aos filhos e netos...tocam a porta, me acordam das recordações presentes.Sei que estareis sempre por aqui,em qualquer luz ou vidraça embaciada onde vos vejo ao longe,naquela estrela que brilha bem alto no céu e no meu coração.

Lisa

quinta-feira, dezembro 02, 2010



Em Louvor das Crianças

Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultâneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.

Eugénio de Andrade

Assim escreveu Eugénio de Andrade sobre as crianças! E como estamos em época de paz e amor,assim deviam os homens,pensar mais nelas e menos em si,lhe propocionar o seu bem estar junto da família e terem o que lhe é devido numa sociedade justa.Cada dia vejo mais injustiça sobre elas,quer por aqui,ou em muitas partes do mundo.

sexta-feira, novembro 26, 2010


Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe,
Braço que envolve, palavra que conforta,
Silêncio que respeita, alegria que contagia,
Lágrima que corre, olhar que acaricia,
Desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela
Não seja nem curta, nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura... Enquanto durar

Cora Coralina

terça-feira, novembro 23, 2010



Em uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

Olavo Bilac