domingo, novembro 07, 2010



Manhã na Praia

Brasa de sol queimando o Horizonte
Espectativa ansiosa sobre o mar.
velas brancas,num sonho de aventura.
Sem limites ou leis a comandar

Gaivotas levianas como a brisa
Num voo alucinado pelo espaço,
Sem páraquedas,sem medir o abismo,
Prometendo-se às águas num abraço

Uma manhã exacta,loira,clara
Leque de palma aberto em esplendor
Onda de bronze,era o teu corpo eleito
Barcos de azul,teus olhos,meu amor.

Soledade Sumavielle

quarta-feira, novembro 03, 2010


No Fundo Aberto

Escrevo-te enquanto algo resvala, acaricia, foge
e eu procuro tocar-te com as sílabas do repouso
como se tocasse o vento ou só um pássaro ou uma folha.
Chegaste comigo ao fundo aberto sob um céu marinho,
sobre o qual se desenham as nuvens e as árvores.
Estamos na aurícola do coração do mundo.
O que perdemos ganhamo-lo na ondulação da terra.
Tudo o que queremos dizer sai dos lábios do ar
e é a felicidade da língua vegetal
ou a cabeça leve que se inclina para o oriente.
Ali tocamos um nó, uma sílaba verde, uma pedra de sangue
e um harmonioso astro se eleva como uma espádua fulgurante
enquanto um sopro fresco passa sobre as luzes e os lábios.

António Ramos Rosa

segunda-feira, novembro 01, 2010



Hoje pensei escrever só para ti.Mas eu faço isso muitas vezes,quando olho aquela estrela,que me guia e cintila ao longe parecendo guiar os meus passos.Quando à noite a olho,sinto o acariciar da tua mão no meu cabelo,teu colo,e o calor do teu abraço,assim estou eu no meu silêncio! E penso em ti,no teu rosto e sorrio,a pensar como seria hoje.Logo não te vejo,o céu está encoberto, te sentirei sempre a qualquer hora,a olhares para mim...Mas sempre estará presente no meu coração.

Lisa

sexta-feira, outubro 29, 2010



Nada melhor que um pouco de poesia para descontrair no fim de semana que está perto.Tenho o cuidado que sempre que leio algo que gosto,neste caso poesia partilho com os amigos,hoje não vai fugir a regra.E como a vida deve ser vivida de pequenos gestos,que muitas vezes representam grandes coisas no coração.Este poema adoro,fala do silêncio sendo algo sublime...aqui vai e bom fim semana a todos.

Há o silêncio das estradas
e o silêncio das estrelas
e um canto de ave, tão branco,
tão branco, que se diria
também ser puro silêncio.
Não vem mensagem do vento,
nem ressonâncias longínquas
de passos passando em vão.
Há um porto de águas paradas
e um barco tão solitário,
que se esqueceu de existir.
Há uma lembrança do mundo
mas tão distante e suspensa...

Há uma saudade da vida
porém tão perdida e vaga,
e há a espera, a infinita espera,
a espera quase presença
da mão de puro mistério
que tomará minha mão
e me levará sonhando
para além deste silêncio,
para além desta aflição

Tasso da Silveira