segunda-feira, março 15, 2010



Amar é Raro

Amar é dar, derramar-me num vaso que nada retém e sou um fio de cana por onde circulam ventos e marés. Amar é aspirar as forças generosas que me rodeiam, o sol e os lumes, as fontes ubérrimas que vêm do fundo e do alto, água e ar, e derramá-las no corpo irmão, no cadinho que tudo guarda e transforma para que nada se perca e haja um equilíbrio perfeito entre o mesmo e o outro que tu iluminas. Dar tudo ao outro, dar-lhe tanta verdade quanta ele possa suportar, e mais e mais; obrigar o outro a elevar-se a um grau superior de eminência, fulguração, mas não tanto que o fira ou destrua em overdose que o leve a romper o contrato — o difícil equilíbrio dos amantes! Amar é raro porque poucos somos capazes de respirar as vastas planícies com a metade do seu pulmão; e amar é raro porque poucos aceitam a presença do seu gémeo, a boca insaciável de um irmão que todos os dias o vento esculpe e destrói.

Casimiro de Brito

sexta-feira, março 12, 2010



Fogueira da Alma
O vermelho do sol vem ao meu encontro me leva até aos caminhos trilhados.Nem eu sei muitas vezes como foi,nem as fogueiras me fizeram esquecer quem sou, e o porque
o faço.E voltam as memórias envoltas de trilhos,labaredas, e passadas de esperança sempre presentes.
É nos dias que o luar me visita,eu sinto em volta de mim, remoinhos de vento e folhagem diversa,onde a ligeireza das pernas tem de ser rápidas e precisas. Muitas histórias ficaram por contar,mas não importa só eu sei! Mas continuarei presente, em cada suspiro, em cada olhar em volta, e quando a alma faz este rodopio da vida,sempre direi. Fiz e senti que fiz bem, e quando as pernas não mais subirem ao monte das minhas lembranças e labaredas,contarei junto a lareira,aos netos; esta fogueira da alma que jamais se apagará.

Lisa

quarta-feira, março 10, 2010



Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração.


António Ramos Rosa

segunda-feira, março 08, 2010




Mulher! Mãe, Esposa,Filha.
Do teu ventre foi gerada com amor,de uma pequena semente de dois que se amaram.Cresci como uma folha de fertilidade!A semente do amor,que lutou se transformou.
Foste e fui...gente de corpo inteiro.Como uma rosa criada no teu jardim,feminina,e de muita sensibilidade.Trouxe ao mundo,outros seres que continuaram a mesma germinação.A árvore desta pequena semente brota em mim pela raiz,com folhas de fertilidade,igualdade,humanidade.
Mas sobretudo me ensinaste a ser mulher,mãe esposa,avó!Mas que a força da semente seja a essência da natureza humana.

Lisa 08/03/2010

Neste dia para todas nós...Mulheres,do mundo inteiro as que sofrem a violência o tráfego sobre seu corpo,a mãe negra sem poder ajudar os filhos,as mães sem trabalho,a saudade da que partiu, mas ficará sempre no meu coração