domingo, janeiro 24, 2010


Rumo

É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra ...

Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!

Vamos, companheiro ...
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor
se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...


Alda Lara

sexta-feira, janeiro 22, 2010



Amigo, a que Vieste?

Onde foste ao bater das quatro horas
e, antes, quem eras tu, se eras?
Amigo ou inimigo, posso falar-te agora
sentado à minha frente e com os ombros
vergados ao peso da caneta?
Falo-te sobre a cabeça baixa
e vejo para além de ti, no horizonte,
teus riscos e passadas;
mas não sei onde foste, nem se eras.
Olho-te ao fundo, sob o sol e a chuva,
fazendo gestos largos ou só um leve aceno;
dizes palavras antigas,
de antes das quatro horas,
e nada sei de ti que tu me digas
dessa cabeça surda.
Não te pergunto pela verdade,
que pensas de amanhã ou se já leste Goethe;
sequer se amaste ou amas
misteriosamente
uma mulher, um peixe, uma papoila.
Não quero essa mudez de condolências
a mim, a ti, ou só à terra
que tu e eu pisamos — e comemos.
Pergunto simplesmente se tu eras,
quem eras, e onde foste
depois que se fizeram quatro horas.

Será que não tens olhos? Não tos vejo.
De longe em longe
agitas a cabeça, mas talvez seja engano.
Palavra, não te entendo.
Amigo, a que vieste?

Pedro Tamen
(foto Google)

quinta-feira, janeiro 21, 2010



OS OLHOS DAS CRIANÇAS

Atrás dos muros altos com garrafas partidas
bem atrás das grades de silêncio imposto
as ciranças de olhos de espanto e de mêdo transidas
as crianças vendidas alugadas perseguidas
olham os poetas com lágrimas no rosto.

Olham os poetas as crianças das vielas
mas não pedem cançonetas mas não pedem baladas
o que elas pedem é que gritemos por elas
as crianças sem livros sem ternura sem janelas
as crianças dos versos que são como pedradas.

Sidonio Muralha

quarta-feira, janeiro 20, 2010



Ergue teus braços virados para o céu e grita,porquê o sofrimento é grande e as vidas pedem clamor.Podes cantar e nem a lágrima cair,mas grita,porque o teu sofrimento é tão grande, nem sabes o porquê de tanta dor.Que mal tem as crianças,se elas são a esperança,mas grita amigo e pede ajuda,a quem lha possa dar. Os meus olhos já não aguentam de ver,sofrimento destruição e tanto clamor.Do pedaço de terra,que pouco tinha,e cada vez tem menos,já não sinto os destroços,mas lanças no peito, mas a guerra ou o após e depois farás perguntas.Se és tu o pai que tudo vês, tenta ver com justiça,mas recolhe as crianças em teu colo,as ajuda porque sofrem tanto,que o meu coração,está dorido. E o que me move é a vida por vida,nem este lema no momento tem sentido.
Por o Haiti e mais do que nunca por eles todos,o seu povo.


Quem quiser colocar a foto nos seu blogs,o podem fazer a vontade e bem hajam.

Lisa