
Relógio sem ponteiros
Quando agora te debruças sobre a água do tanque, vês projectado, lá no fundo, um relógio sem ponteiros. Percebes, então, que a ferrugem é também uma qualidade e um atributo da água, e não apenas de alguns metais a que chamamos vis. E percebes ainda que já não são necessários os relógios. Tu já não tens idade, nem o tempo, que partilha do halo e da fluidez da água e é, às vezes, como ela, tão inodoro e insípido, se deixa prender, mesmo num vaso de cristal. E não podes, assim, medir-lhe a respiração. A sua duração, se preferes. Se alguma ainda subsiste, é a que é regulada pelos ponteiros do seu próprio corpo.
Albano Martins
8 comentários:
Amiga obrigada pela sua visita ao
meu blogue e comentário. Desejo
tudo de bom para si em 2011.
Um beijinho/Irene
A fugacidade do tempo na correnteza da água...
Bonito texto poético.
Um beijo
Palavras que nos fazem reflectir...
Há etapas na vida...que já não precisamos de relógios...o nosso corpo, marca o tempo!
Beijos
Graça
Olá Lisa
O relógio da nossa vida.
Belo texto. Obrigada pela partilha.
Bjs.
...Ou da alma, já não uso bússolas ou relógios... não me servem mais. Beijo
Olá querida amiga
Cá estou eu novamente atrasada, mas jamais deixo de ler.
Lindo.
Com muito carinho BJS.
Olá Lisa!
Nada tenho contra si, pelo contrário tenho por si grande estima, foi a minha segunda ou terceira seguidora e sempre me acarinhou, e ajudou a caminhar por estes caminhos, se não tivesse tido pessoas como você, se calhar tinha desistido antes mesmo de ter começado.
A Lisa, a certa altura disse e muito bem, o que pensou, e eu fiquei mais pequenino que um bago de milho, como se costuma dizer aqui na minha terra, ainda hoje me sinto quase assim perante si, tenho aquela sensação que sou pessoa não grata.
Mas a partir de agora já não vai ser assim.
receba um beijinho com o meu carinho.
José.
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