
A Noite na Ilha
Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.
Pablo Neruda
12 comentários:
Querida Lisa,
Neruda!!!
É inigualável...
Fizeste uma escolha maravilhosa, lindíssima.
Beijinhos
Ná
Onde arranjo um Pablo Neruda assim pra mim?...Beijinhos..laura
Olá Lisa
Uma escolha SOBERBA!
Parabéns.
Bjs.
Lisa
Estou aqui a te visitar e me delicio com versos de Neruda.Incomparável a sua forma de jogar as palavras com versos que descrevem com destreza os sentimentos, a natureza.
Aproveitei uma porta aberta na Casa do Rau que a amiga Ná gentilmente deixou e vim te conhecer e encantada estou.
Beijos
Querida Lisa,
como estás?
Neruda dispensa qualquer comentário, e a escolha de hoje foi magnífica... nos leva a viajar pelas delícias do amor!
Bjs.
Belissimo!
Beijito.
A grandeza do amor e da paz neste poema de Neruda, génio da literatura e dela Prémio Nobel.
Gostei imenso de reler a Noite na Ilha. Obrigado, Elisa, por o ter partilhado.
Este seu post fez-me recordar um acontecimento ímpar em todo o mundo.
Depois de ter recebido o Nóbel (1971),o presidente chileno Salvador Allende convidou-o para ler poesia, no Estádio Nacional do Chile, perante 70 mil pessoas. Neruda leu!
Por todo o lado ecoou a sua frase: os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra.
Pablo Neruda morreu a 23 de Setembro de 1973, 12 dias depois do assassínio do seu amigo Salvador Allende pelas hordas nazis de Pinochet. Diz a escritora Isabel Allende que o poeta morreu de tristeza.
Um abraço, Amiga Lisa
Ah, minha amiga, que lindo!...
Neruda desnuda sentimentos, corações... Lindo.
Beijos e Obrigada
A poesia de Neruda é, sem dúvida, extraordinária.
Belissima escolha (como sempre).
um beijo com sabor de água-marinha
OLA LISA, BELISSIMO POEMA...SUBLIME ESCOLHA...VOTOS DE UM OPTIMO FIM DE SEMANA AMIGA!!!
BEIJOS COM CARINHO,
SUSY
Este poema 'mata-me'...
Obrigada, Lisa.
Beijinho.
Minha querida
Lindo poema, Neruda é Imortal.
Uma bela escolha.
Deixo um beijinho
Sonhadora
Enviar um comentário