terça-feira, novembro 18, 2014

       


 Escuta, escuta: tenho ainda
 uma coisa a dizer.
 Não é importante, eu sei, não vai
 salvar o mundo, não mudará
 a vida de ninguém - mas quem
 é hoje capaz de salvar o mundo
 ou apenas mudar o sentido
 da vida de alguém?
 Escuta-me, não te demoro.
 É coisa pouca, como a chuvinha
 que vem vindo devagar.
 São três, quatro palavras, pouco
 mais. Palavras que te quero confiar,
 para que não se extinga o seu lume,
 o seu lume breve.
 Palavras que muito amei,
 que talvez ame ainda.
 Elas são a casa, o sal da língua.
        


        Eugenio de Andrade



1 comentário:

Fê blue bird disse...

A poesia de Eugenio de Andrade é sempre delicada e íntima.
A imagem está a condizer, linda também.

beijinho