sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Dançamos

Eu danço, tu danças, e todos dançamos
uma dança de inquietude
que nos acompanha todos os dias,
nos machuca sentimentos, e
emoções.
E lá andamos neste redopiar
de sentimentos, que uns ocultam e

sofrem, e  não demonstram.
Outros criam barreiras,
só fugindo deste antro
que nos amordaça, e controla até
ao tutano.
É realmente uma eterna dança.


Lisa 27/02/2014


sexta-feira, fevereiro 21, 2014

O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.

A grande amendoeira consente que balancem
suas largas folhas transparentes ao sol.

Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,
os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.

Frontes rendadas de acácias palpitam inquietantemente
com o mesmo tremor das samambaias
debruçadas nos vasos.

Fremem os bambus sem sossego,
num insistente ritmo breve.

O vento é o mesmo:
mas sua resposta é diferente, em cada folha.

Somente a árvore seca fica imóvel,
entre borboletas e pássaros.

Como a escada e as colunas de pedra,
ela pertence agora a outro reino.
Se movimento secou também, num desenho inerte.
Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.

O vento que percorre o jardim
pode subir e descer por seus galhos inúmeros:

ela não responderá mais nada,
hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.


Cecilia Meireles

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

O Amor é o amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor — e depois?

(Alexandre O'Neill)


























segunda-feira, fevereiro 10, 2014

'Chovia e eu estava como numa floresta de harpas'

Chovia e eu estava como numa floresta de harpas:
que musica tocarão meus inábeis dedos nas águas celestes?

Nós somos uns grandes cometas com véus de acontecimentos
arrastados atrás de nós, e cada dia dilatados.

Nós somos uns solitários faróis projetando-nos sobre a noite.
Deixai-me tocar a musica de hoje, inábil, que fica entre o que passou e
o que talvez não venha."

Setembro, 1962

Cecília Meireles
In: Poesia Completa


















Foto daqui:www.papeldeparede.etc.br



sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Prometi aos amigos por aqui voltar quando as ideias ficassem em ordem, Cada dia que passa as mesmas ficam silenciadas por ver o que vejo, sentir a "raiva" que sinto por seres que nos levaram a este caminho.
Não poderei de certa forma falar de mim nem dos meus, a verdade é que vejo tanta injustiça, pelos que não tem pão, trabalho, casa e todo um arrastar de coisas que poucos podem resolver. A saúde muito mal, os hospitais estão abarrotar de pessoas, a educação é o que se sabe, a cultura é um bem para deitar fora, convêm cidadão"burro" mais fácil de manobrar.O que nos dão é,TV com programas fracos, novelas em cima de novelas, Big Brother com pessoas sem nível e educação...pelo que ouço e não é por ver, mas a dizer mais parece um bar de alterne. E para acabar com este rosário grande, temos um inverno que não deixa sair da "toca" porque o verdadeiro anda a solta, e a usar o que pertence a nação,e a nós pensionistas do que trabalhamos, e assim vai este país sem ponta por onde se pegue. Agora pergunto eu, haverá alguém por ai perdido, que ajuda este Portugal que todos amamos, para não deixar acabar o que os outros nos deixaram, porque por este andar, até um dia os monumentos são vendidos em haste publica, tenham dó.

Virei por aqui sempre que poder e der. Obrigados.

Lisa