quinta-feira, janeiro 10, 2013

Hoje acordei a ouvir este poema, maravilhoso como sempre e muito se adapta ao atual momento da vida de cada um. A cantou, um cantor que já a muito tempo não o ouço,fica para quem gostar.

Madrugada.


Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida no medo
E a raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio.

Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
Do braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente que a si mesma se descobre
E acorda vozes arraiais
Canta-se a terra que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais

Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia

Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes e arraiais
Cantem despertos na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais

Cantem marés por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
O canto assim nunca é demais

Letra e musica da mesma; José Luis Tinoco



4 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
no vai e vem das marés,
baila livre o sargaço,
e na rocha cor de esmeralda,
é verde o seu abraço .
,
esverdeadas conchinhas,
ficam,
*




Mona Lisa disse...

Um poema oportuno, embora suave para os tempos tão incertos em que vivemos!

Beijos.

Lilá(s) disse...

Bem oportuno sem dúvida!
Bjs

Maria Rodrigues disse...

Belissimo poema, um grito de dor e revolta.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria