sexta-feira, janeiro 18, 2013


Adágio, meia voz, sombras e fumo.
Inverno, Inverno só. Que resta agora?
Nunca mais a esperança duma aurora,
duma flor ou de um fruto a escorrer sumo.

Barco à deriva, bússola sem rumo,
lá vão, bússola e barco, oceano em fora.
Nem alazão recusa o freio e a espora,
que eu, Sagitário, tudo aceito e assumo.

Vai,de olhos cegos,perseguindo o vento,
que ninguém oiça, queixa nem lamento,
seja de anjo ou demónio a tua queda.

E que da cinza morna e fumegante,
mais uma vez da cinza se levante
uma grande, uma enorme labareda


Fernanda de Castro (obras completas)  






















9 comentários:

Lilá(s) disse...

Hoje sim, Inverno lá fora...
Bjs

Flor de Jasmim disse...

Excelente querida, gostei de ler.
bom fim de semana

beijinho e uma flor

Mona Lisa disse...

O Inverno bateu forte,mas breve surgirá a Primavera.

Beijinhos.

Maria Rodrigues disse...

Linda poesia. Este fim de semana o inverno veio em força.
Beijinhos
Maria

Nilson Barcelli disse...

Belíssima escolha poética.
Gostei.
Lisa, querida amiga, tem uma boa semana.
Beijo.

Mar Arável disse...


Por vezes sós

mas nunca isolados

Graça Pereira disse...

Em muitos blogues encontro agora poemas de Fernanda de Castro , uma das minhas poetisas favoritas da minha adolescência.
Escolheste um poema belissimo e com imagens fabulosas para o ilustrarem.
O inverno desgasta-nos, principalmente a alma...mas, a alegria da primavera, há-de trazer-nos de novo a pujança da vida.
Beijos amigos.
Graça

Flor de Jasmim disse...

voltei para deixar o meu beijinho e uma flor.

Maria Rodrigues disse...

Lisa passei para desejar um bom restinho de domingo e uma boa semana.
Beijinhos
Maria