segunda-feira, janeiro 28, 2013

Informação Urgente.

Amigos deste blog,tenho um blog aqui nos seguidores com o nome de um amigo que nada tem a ver com ele, ou seja ela. O blog em causa tem o nome NA CASA DO RAU da minha amiga Fernanda, clico nele e vai parar a um blog da Indonésia.Quem souber o que fazer me diga, se nada resolver deito o blog abaixo.Obrigados

sexta-feira, janeiro 18, 2013


Adágio, meia voz, sombras e fumo.
Inverno, Inverno só. Que resta agora?
Nunca mais a esperança duma aurora,
duma flor ou de um fruto a escorrer sumo.

Barco à deriva, bússola sem rumo,
lá vão, bússola e barco, oceano em fora.
Nem alazão recusa o freio e a espora,
que eu, Sagitário, tudo aceito e assumo.

Vai,de olhos cegos,perseguindo o vento,
que ninguém oiça, queixa nem lamento,
seja de anjo ou demónio a tua queda.

E que da cinza morna e fumegante,
mais uma vez da cinza se levante
uma grande, uma enorme labareda


Fernanda de Castro (obras completas)  






















segunda-feira, janeiro 14, 2013


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa
















quinta-feira, janeiro 10, 2013

Hoje acordei a ouvir este poema, maravilhoso como sempre e muito se adapta ao atual momento da vida de cada um. A cantou, um cantor que já a muito tempo não o ouço,fica para quem gostar.

Madrugada.


Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida no medo
E a raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio.

Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
Do braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente que a si mesma se descobre
E acorda vozes arraiais
Canta-se a terra que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais

Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia

Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes e arraiais
Cantem despertos na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais

Cantem marés por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
O canto assim nunca é demais

Letra e musica da mesma; José Luis Tinoco



terça-feira, janeiro 08, 2013


O sono não vinha, e ficou em permanente
vigília .Assim temos algumas noites,
e custa tanto a passar, tudo aflora a mente.
Quando o tal sono dos justos aparece dá ideia
que fizemos longas estradas, os cansaços ficaram
no peito, na alma. Ao acordar sinto 
que voltei a revolta de todos os dias.
Mas tenho que viver, lutar, e sentir todos
os gestos e pensamentos.Volto a acreditar
que o amanhã será outro dia,e novas
vigílias virão e mais cansaços.

Lisa













foto daqui:maravista-anamar.blogspot.pt

quinta-feira, janeiro 03, 2013


Balada de Sempre

Espero a tua vinda 
a tua vinda, 
em dia de lua cheia. 

Debruço-me sobre a noite 
a ver a lua a crescer, a crescer... 

Espero o momento da chegada 
com os cansaços e os ardores de todas as chegadas... 

Rasgarás nuvens de ruas densas, 
Alagarás vielas de bêbados transformadores. 
Saltarás ribeiros, mares, relevos... 
- A tua alma não morre 
aos medos e às sombras!- 

Mas..., 
Enquanto deixo a janela aberta 
para entrares, 
o mar, 
aí além, 
sempre duvidoso, 
desenha interrogações na areia molhada... 

Fernando Namora,  'Relevos'