quinta-feira, novembro 08, 2012

Concordo que a vida não está fácil para ninguém, mas como seres humanos temos sempre que dar a volta, para isso temos uma cabeça para pensar. Mas actualmente o que mais leio e ouço é descriminação para a velhice, eu gosto deste nome, porque caminho para lá e como todos não sou indiferente ao que me rodeia. Li este poema e gostei bastante dele, se enquadra aos tempos que todos nós vivemos, principalmente os mais idosos

A Senhora de Idade

A senhora de idade de tão bons sentimentos,
tão bonitas maneiras, vive de rendimentos.
Vive, não, seu brio,não se queixa a ninguém.
Vive triste, sozinha, e pouco sai de casa
porque o barulho a arrasa.
Depois,sair com quem?Não tem filhos, é viúva
e teme a solidão, receia o vento, a chuva.
Apetece-lhe, as vezes, ver os barcos no rio,
os pombos no Rossio,mas não,custa-lhe andar,
o calçado está caro.Mas do que vive,então?
De alguns copos de leite, de chá e de tisanas,
de pão e duma sopa, a mesma, quase a mesma,
semanas e semanas
Vai a missa ao domingo, e as vezes, quando há sol
ou cheira a maresia, compra um fruto, uma flor,
para ter companhia.Que lhe resta coitada
à senhora de idade? Resta-lhe pouco ou nada,
porém resta-lhe tudo: uma grande saudade,
um sofrimento mudo que é reserva e pudor, as vezes uma flor
 e a sua dignidade

Poema de Fernanda de Castro
















12 comentários:

Dulce disse...

Triste, muito triste toda essa solidão, toda essa fragilidade diante da vida que segue indiferente às suas necessidades.

Beijos e bom final de semana, Lisa

Mona Lisa disse...

Emocionei-me ao ler tão belo e real poema!

Beijos.

Agulheta disse...

Obrigada Dulce,pela visita e comentário,nos tempos actuais se faz muita descriminação a velhice,e este poema tocou-me.
Beijinhos

Agulheta disse...

Amiga Elisa.Foi precisamente o que senti ao ler o poema,real, e comovente,mas se cruza na rua muitas senhoras que sentem isto.
Beijinhos

Flor de Jasmim disse...

É com as lágrimas a correrem que acabei de ler!
A minha mãe abandonou-me tinha eu 8 aninhos, casei aos 16, tive duas filhotas e fiquei viúva com 38, depois disso já passei muita fome para não deixar faltar nada às minhas filhotas, hoje quase com 56 anos, senti as palavras deste poema bem na minha pele.
Bom fim de semana querida

Beijinho e uma flor

**♥✿Franciete-✿♥** disse...

Amiga não podes ser boa, ainda hoje estive para te ir comentar mas depois apareceu outra coisa que me fez passar de ideia.
Espero que esteja tudo bem contigo gostava de poder ler os teus postes mas a letra faz um pouco de reflexo e eu mesmo com óculos tenho dificuldades, mas de qualquer modo tudo que tu escreves é sempre belo.
Que tenhas um feliz e santo domingo, com beijinhos de luz e muita paz.

Agulheta disse...

Quanta dor no comentário amiga Adélia,sim a vida é muito complicada,tem momentos muito bons mas tem outros que devemos esquecer para não sofrer.
Beijinhos

Agulheta disse...

Amiga Franciete. Está tudo bem felizmente,já tentei modificar a letra,está maior um pouquinho.Beijinhos e tudo de bom para ti.

Graça Pereira disse...

Emocionante este poema por ser verdadeiro e por ter conhecimento de tanta solidão que há por aí...
Beijocas, Lisa.
Graça

wallper.lima disse...

Olá amiga! Realmente este é um assunto delicado, e que faz parte da vida humana, pois um dia todos nós vamos chegar lá, talvez falta-nos preparo, ou aceitação, mas acho que seria uma coisa normal nascer, crescer, envelhecer...o que mais pega eu acho, é o preconceito que existe.
Sobre o poema, realmente é tocante, mto triste!
Bjocas minhas pra vc.
WaleriaLima

Flor de Jasmim disse...

Deixo o meu beijinho e uma flor.

mundo azul disse...

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...que triste esse poema, Elisa...Mas, penso que devemos aprender mais cedo a gostarmos muito da nossa própria companhia, para não nos sentirmos tão solitários...


Beijos de luz e o meu carinho!!!

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