sábado, fevereiro 25, 2012

Amigos deste blog sei que estou um pouco em falta de responder aos amigos.Uma gripe me fez estar afastada daqui por uns dias, hoje estou melhor felizmente e irei visitar quem deixou comentários.
Como habitual escrever algo que faça bem a alma e nos deixe mais mais livres de nós, ao encontro da natureza e das nossas raízes, nada melhor que ler este magnifico texto a seguir.

















"Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. É claro que nunca um panorama me interessou como gargarejo. É mesmo um favor que peço ao destino: que me poupe à degradação das habituais panelada de prosa, a descrever de cor caminhos e florestas. As dobras, e as cores do chão onde firmo os pés, foram sempre no meu espírito coisas sagradas e íntimas como o amor. Falar duma encosta coberta de neve sem ter a alma branca também, retratar uma folha sem tremer como ela, olhar um abismo sem fundura nos olhos, é para mim o mesmo que gostar sem língua, ou cantar sem voz. Vivo a natureza integrado nela. De tal modo, que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno. Bem sei que há gente que encontra o mesmo universo no jogo dum músculo ou na linha dum perfil. Lá está o exemplo de Miguel Ângelo a demonstrá-lo. Mas eu, não. Eu declaro aqui a estas fundas e agrestes rugas de Portugal que nunca vi nada mais puro, mais gracioso, mais belo, do que um tufo de relva que fui encontrar um dia no alto das pene dias da Calcedónia, no Gerez. Roma, Paris, Florença, Beethoven, Cervantes, Shakespeare... Palavra, que não troco por tudo isso o rasgão mais humilde da tua esta minha, Mãe!

Miguel Torga, in "Diário (1942)"


11 comentários:

Maria Emilia Moreira disse...

Olá!
Boa escolha. Miguel Torga foi e continua a ser um dos "nossos grandes".Gosto da prosa , mas admiro especialmente a sua arte poética.
Pena que não tenha recebido o Nobel...

BlueShell disse...

Texto e imagens excelentes...

Bom fds
Bshell

Fernanda disse...

Miguel Torga, o favorito de Maria José Areal e não só.

Parabéns pela escolha.

As melhoras amiga.

Beijo

Mona Lisa disse...

Olá Lisa

Uma escolha soberba.

Espero que já estejas restabelecida.

Beijos.

Flor de Jasmim disse...

Querida
Excelente escolha De Miguel Torga!
dbelissimo texto e as imagens.

Beijinho e uma flor

Fernanda disse...

Ainda bem que estás melhor, amiga Lisa.
Cuida-te bem.

Beijo

elvira carvalho disse...

Espero e desejo que já tenha mandado embora a gripe. Muito bom o texto. Das fotos nem preciso dizer salta à vista.
Um abraço e rápida recuperação

Fernanda disse...

Miguel Torga era uma amante da natureza por excelência. Só ele a descreve assim.

As melhoras, amiga Lisa
Beijo

**♥✿Franciete-✿♥** disse...

Minha querida Lisa desculpa bem, mas nem sabia que estavas doente, pois falando em doenças aqui por casa tem sido o caos, tive o meu marido hospitalizado e eu nem sei onde arranjei forças para suportar tudo isto.
Mas graças a Deus e às orações dos meus amigos me parece que estamos a superar.
Amiga tu não tens verificações mas as pessoas não tem culpa os donos dos blogues é que resolveram introduzir estas chatices pois não passe de chatices, mas eles lá sabem porquê não é, minha linda fica bem fica com Deus e as tuas melhoras, beijinhos de luz e muita paz

Lilá(s) disse...

Sem duvida um magnifico texto! um grande escritor que temos orgulho em lhe chamar nosso.
Bjs

Sonhadora disse...

Minha querida

Uma boa escolha este texto de Miguel Torga, que adoro ler.


Um beijinho com carinho e desejando que a gripe já te tenha abandonado.
Sonhadora