quarta-feira, janeiro 18, 2012

Anjo,
Tua presença traz para os meus dias,
A alegria das alamandas.
Os aborrecimentos,
Quando nos distraímos e eles surgem,
São de pouca espessura,
E a beleza do existir não desanda.
Anjo,
Vês as aves nos braços do espantalho?
Vês?
Eu não ligo,
Pois elas não trazem preocupação.
Chegaram famintas de lugar distante...
Escuro areal de leitos secos de rios
Forrados de ferinas lascas de cascalho.
Anjo,
Elas vêm saciarem-se do meu trigo.
Que se fartem... e partam satisfeitas.
Não farão estragos importantes,
Ou rasuras,
Na semeadura, 
Que diminua a abundância da colheita.
Anjo,
Com a luz e o calor da tua presença,
Sempre eclodem mais sementes
Do que é preciso,
Para fazer o nosso pão.

António Miranda Fernandes

7 comentários:

Maria disse...

Não conhecia este poeta.
Obrigada pela partilha, Lisa.

Beijinho.

Mona Lisa disse...

Belo poema, transbordando leveza.

Não conhecia.
Obrigada pela partilha.

Bjs.

Graça Pereira disse...

Maravilhoso este poema, com uma bela lição: depois da partilha consentida, nunca faltará grão para o nosso pão!
Beijo e bom fds.
Graça

poetaeusou . . . disse...

*
discernimento na tua escolha,
num profundo poema, que
adicionado ao teu perfil,
me faz lembrar, os sedentos
de justiça, os famintos de amor,
os desiludidos da vida . . .
,
conchinhas profundas, deixo .
*

Agulheta disse...

Obrigados amigos que por aqui vieram em paz e amizade.Cada palavra é um anjo que nos campos de trigo esperam o pão,e são muitos por aqui.Obrigados.
Beijos

Agulheta disse...

Obrigados amigos que por aqui vieram em paz e amizade.Cada palavra é um anjo que nos campos de trigo esperam o pão,e são muitos por aqui.Obrigados.
Beijos

Dulce disse...

Resumindo, podemos dizer que ao poeta, o amor basta... todo o resto é complemento... Muito lindo!

Beijos e um lindo final de semana para você, Lisa.