sábado, novembro 26, 2011

Este Não-Futuro que a Gente Vive


Será que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste não-futuro que a gente vive? (...) Bom, tudo seria mais fácil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. Às vezes uso, mas é diferente usar uma gravata no pescoço e usá-la na cabeça. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a noção dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo à minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A memória. (...) Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada… De resto, não tenho grandes projectos. Acho que o planeta está perdido e que, provavelmente, a hipótese de António José Saraiva está certa: é melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas têm mais tempo para olhar para os outros. 


Al Berto, in "Entrevista à revista Ler (1989)"
Foto:net

4 comentários:

Maria disse...

Amiga vivemos tempos dificeis sim e infelizmente penso que nos próximos anos se irão agravar, principalmente para quem é humilde, mas não podemos desistir de sonhar com dias melhores. Afinal o sonho comanda a vida ...
Bom fim de semana
beijinhos
Maria

Mona Lisa disse...

Olá Lisa

A triste realidade em que vivemos.

Bjs.

Dulce disse...

Há momentos em que todos nós nos sentimos um pouco assim, não é`

Vim visitar minha amiga e desejar-lhe um bom domingo.
Beijos

Fernanda disse...

Amiga querida, Lisa!

Parece que tenho estado muito ausente, tenho de voltar para deixar os comentários em dia -:)

Estes são tempos duros, mas vão piorar ainda mais, e não creio estar enganada.

Deixei-te um recado lá em casa.

Beijinhos e as melhoras para ambos.