terça-feira, novembro 22, 2011

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


Alberto Caeiro

6 comentários:

Secreta disse...

A nossa maior riqueza é ver...
Gosto muito deste poema.
:)

Dulce disse...

Lindo, muito lindo...
É sempre um afago ao coração ler Pessoa, em qualquer de seus heterônimos.
Obrigada por isso, Lisa.

Beijos e uma linda tarde para você

Mona Lisa disse...

Olá Lisa

Palavras sábias as de Alberto Caeiro.

Realmente...somos do tamanho do que vemos e não da altura que temos.

Bjs.

BlueShell disse...

Bom reler Alberto Caeiro...aparentemente o mais simples dos heterónimos de Pessoa...
Obrigada.
BShell

Sonhadora disse...

Minha querida

Um belo poema de Pessoa que adoro e tenho um filho a interpretar Pessoa num filme sobre a Lisboa de Pessoa.

Deixo um beijinho com carinho e desejo um bom fim de semana.

Sonhadora

Fernanda disse...

Conheço, amiga Lisa.
É dos poemas de Alberto Caeiro que mais gosto e até já o publiquei no rau.

Saudades e beijinhos a ambos.