sexta-feira, outubro 28, 2011

Fechar os olhos à felicidade é ignorar o sentimento adormeçido
deixar passar o tempo,perder a esperança ,viver sem sentido.
Fechar os olhos, a boca a palavra amor,é não sentir o frio
o arrepio do corpo, e da alma,deixar fugir entre os dedos a areia
não conseguindo apanhar o mais pequeno grão.
é tentar segurar uma pequena estrela que brilha no céu. 
Fechar os olhos a felicidade,é ver passar as horas e minutos
Sem deliniar uma linha no horizonte  que são os desejos
correr atrás dos sonhos,soltar a dor do peito a saudade.
sentir no momento como um pequeno lamento de nada fazer.
Viver é soltar os segredos e deixar voar o coração para longe
o momento de não ficar preso, como o barco no cais
Esperando a maré para se lançar ao mar e soltar amarras

Lisa

segunda-feira, outubro 24, 2011

O segredo é amar. Amar a Vida 
com tudo o que há de bom e mau em nós. 
Amar a hora breve e apetecida, 
ouvir os sons em cada voz 
e ver todos os céus em cada olhar. 
Amar por mil razões e sem razão. 
Amar, só por amar, 
com os nervos, o sangue, o coração. 
Viver em cada instante a eternidade 
e ver, na própria sombra, claridade. 
O segredo é amar, mas amar com prazer, 
sem limites, fronteiras, horizonte. 
Beber em cada fonte, 
florir em cada flor, 
nascer em cada ninho, 
sorver a terra inteira como o vinho. 
Amar o ramo em flor que há-de nascer, 
de cada obscura, tímida raiz. 
Amar em cada pedra, em cada ser, 
S. Francisco de Assis. 
Amar o tronco, a folha verde, 
amar cada alegria, cada mágoa, 
pois um beijo de amor jamais se perde 
e cedo refloresce em pão, em água! 


Fernanda de Castro



sábado, outubro 22, 2011

A palavra nem sempre sai como gostaríamos,ela pode ser o silêncio, paz ou sabedoria;mas é a palavra. Ela nos amordaça a voz em certos momentos, falar só por falar nada vale quando os sentimentos são vagos perante a justiça surda e muda.
Nos tempos que correm, muitas palavras se soltam como papeis ao vento, mas a sabedoria e a justiça ficam presas no silêncio, dos que vagueiam e perderam as forças para lutar contra tanta falta de humanidade.Como diz o velho ditado"o silêncio dos inocentes" esses perderam a voz da raiva, da dor, da fome,e incerteza,alguns estão perdendo até a dignidade de viver.Ficam os que ainda podem erguer a voz contra tanta injustiça,a esses gritam pelo direito dos que já não tem forças,dos que morrem aos poucos porque perderam.Mas devemos levantar a cabeça e nunca desistir dos sonhos que nos abraçam em cada amanhecer,no sorriso de uma criança,em cada flor que desabrocha...resistir,resistir sempre contra os que querem aniquilar a vida de cada um, só porque são fortes e tem o mundo ao seu dispor... jamais.
Lisa



terça-feira, outubro 18, 2011

Noite Transfigurada
Criança adormecida,ó minha noite,
noite perfeita e embalada
como as folhas,
noite transfigura,
ó noite mais pequena do que as fontes,
pura alucinação da madrugada
chegaste,
nem eu sei de que horizontes.
Hoje vens ao meu encontro
nimbada de astros,
alta e despida
de soluços e lágrimas e gritos
ó minha noite,namorada
de vagabundos e aflitos.
Chegaste,noite minha,
de pálpebras descidas;
leve no ar que respiramos,
nítida no ângulo das esquinas
_ó noite mais pequena do que a morte:
nas mãos abertas onde me fechaste
ponho os meus versos e a própria sorte.


Poesia de Eugénio de Andrade



sexta-feira, outubro 14, 2011

CANÇÃO DE OUTONO* 
O outono toca realejo 
No pátio da minha vida. 
Velha canção, sempre a mesma, 
Sob a vidraça descida... 
Tristeza? Encanto? Desejo? 
Como é possível sabê-lo? 
Um gozo incerto e dorido 
de carícia a contrapelo... 
Partir, ó alma, que dizes? 
Colhe as horas, em suma... 
mas os caminhos do Outono 
Vão dar em parte alguma! 


Mário Quintana


























Foto colhida do Google

sexta-feira, outubro 07, 2011

Se faz tarde, me retiro em silêncio
Deixo a palavra adormecida
Para um novo despertar!
Com chuva ou sol,não sei
O poderoso saberá.

Maria Elisa


quarta-feira, outubro 05, 2011

Canção do Outono


Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...


Cecília Meireles



sábado, outubro 01, 2011

Arde-me o olhar, do sol que no teu brilha.
Ri-me na boca o riso que enche a tua
O teu menor prazer  me apazigua.
O teu gesto menor me maravilha.
Nos teus quadris há a graça que brilha.
Música quanto dizes ma insinua.
Como alheada,quando vais na rua,
o teu caminho o meu desejo trilha.
Tem o teu corpo todas as fragrâncias.
Beijo-te e um fruto doce me transporta.
Abraço-te e num vórtice me abismo
Se te inquietas,fico eu em ânsias.
Em ti me absorvo,se te vejo absorta.
Do teu repouso,torna-me o optimismo.


Obra poética  Armindo Rodrigues