segunda-feira, setembro 26, 2011

Papoila de chaga sangrenta
na seara de carne morena,
quem dos teus gritos se alimenta
alivia a sua própria pena.


Obra Poética de Armindo Rodrigues

sábado, setembro 24, 2011

Varanda aberta.Espaço. Noite enrolada em folhas de antenas e aromas,noite de bocas nubladas e brancas.Brilham constelações de lâmpadas através das nuvens.Escuto.Nem palavras em silêncio.
A voz é de um odor da sombra. Deixa-me tocar-te o rosto,o teu rosto de espaço.Vejo-te através das pálpebras.Toco as mãos aéreas e silenciosas que atravessam a folhagem.Vejo lábios rodeados de fogo.
Estou no circulo da distância e escrevo as palavras adormecidas no ar.


Hoje as palavras são de um poeta que tem prosa linda.
António Ramos Rosa
Foto do Flickr

quinta-feira, setembro 22, 2011

Este blog vai começar a fazer textos e poesia pelo menos duas vezes na semana,espero pelos amigos como sempre o fizeram por aqui.Sei que a vida de cada está em primeiro lugar,cada um tem os seus afazeres.Mas à coisas que fazem mal a minha pessoa, que sempre tento ser gentil e amiga. Ver,alguns amigos que sempre foram fieis a este blog,e de repente ala embora,poderiam dizer o porquê,se não gostam ou porque já não sentem a mesma vontade do antigamente.
Visito os amigos sempre que o tempo dá para o fazer,sou cordial nas palavras que deixo,agora penso que se alguém não quer vir por aqui,ou não gosta fecho o blog aos comentários.Como sempre disse,não gosto de dizer bem pela frente e mal por trás,o que é hoje deve ser sempre,mas no gosto de cada um não podemos mandar.Foi só um pequeno desabafo e alguma desilusão com algumas pessoas,mas na vida sempre se aprende,inclusive eu uma avó que podia ter juízo em vez de me incomodar com estas coisas,tenho o amor dos meus e o carinho de alguns amigos.A quem entender obrigado,quem não conseguir,obrigado na mesma a porta está aberta a gente de paz e amizade.


Lisa

terça-feira, setembro 20, 2011

Num emaranhar de fios e pétalas
Anda a borboleta de flor em flor no jardim
Beija uma,beija outra sempre em movimento
Ela sente ao longe a vistosa,rosa
Gosta de sobrevoar de  mansinho o rosmaninho
Neste trabalho de asas,dá beijos a todos
onde em cada uma deixa, sonhos e ilusões.

Lisa



sexta-feira, setembro 16, 2011

 O Setembro está a findar, fico sentada num canto, olhando a janela.
Olho o livro da vida,os pensamentos voltam,de pés descalços na areia
As algas que enlaçam os mesmos no caminhar da manhã.
Os telhados de tons laranja, e escuros me desviam o olhar
 para o campanário da torre da igreja,desperto pelas badaladas
a anunciar que chegou a noite.Ela se faz escura,olho ao longe o cais.
O farol está lá enviando a luz para quem permanece no mar.
Desperto deste desfilar de memórias,quando me tocas no ombro
Encostamos a cabeça um ou outro e caminhamos ao encontro
Do sono e dos sonhos dessa noite


Lisa





terça-feira, setembro 13, 2011

Sobre a Sombra
Era Setembro,era onde a sombra rói os ramos.Os corpos são mais jovens nas dunas
E sóos jovens podem ensinar.Por isso os procuramos,e a pergunta é sempre a mesma
como se morre?Envelhecer não é assim tão simples,por mais que digam.
Quantos dias de sol o declínio nos reserva? Por quanto tempo poderemos amá-los,a esses jovens,
Sem os ofender? Esta alegria de noutros corpos sermos ainda joventude,como guardá-la,
Sem a degradar.

Eugénio de Andrade
















Praia da Arda_Viana do Castelo.Foto minha

domingo, setembro 11, 2011

Naquele dia de Setembro, normal e igual  a tantos outros na central de comunicações,onde somos rodeados de mapas,telefones,rádios de banda alta e média,é lá onde cai todas as comunicações.No parque de viaturas onde se encontram carros todo terreno,auto-sapadores, e ambulâncias para vários tipos de socorro,assim é a vida do soldado da paz.Vigilante 24 sobre 24,estão sempre atentos por esta causa que abraçam,quando o operador de central chama o chefe de serviço os que se encontram dentro das instalações,se movimentam e correm a saber o que se passa e são precisos os seus trabalhos,assim é a vida do Voluntário que serve.Verificam se todas as viaturas estão devidamente equipadas para o fim a que se destinam, e assim vai correndo o dia.
Mas neste dia fatídico do 11 de Setembro,tinha entrado ao serviço por volta das treze horas,quando naquela hora e minutos 13horas e 44 minutos  a TV nos coloca perante o olhar,a maior tragédia da humanidade.Ficamos impávidos sem explicação para tanta destruição,os olhares se cruzam e correm as lágrimas sobre os rostos dos colegas que neste dia estavam de serviço,ficamos paralisados sem saber o que dizer.Ainda hoje sinto o arrepio no corpo e as lágrimas que correram por tantas vítimas inocentes.Hoje passados 10 anos sobre a tragédia que abalou o mundo,penso...ou por outra tenho a certeza que temos dias que pensamos que tudo está  diferente e muito mudou na sociedade.O meu simples gesto de nobreza como soldado da paz,presto a minha homenagem as vítimas que padeceram as mãos de seres sem escrúpulos e terroristas,  que não respeitam os valores, o ser humano e o fanatismo fica dono da destruição.Aos amigos e soldados da paz de todo o planeta que enfrentam o fogo e destruição,sempre haverá uma Fénix renascida das cinzas,e um grande Anjo da Guarda para nos cobrir com seu manto nas horas em que deixamos a família para socorrer quem precisa.

























sexta-feira, setembro 09, 2011


Hoje e sempre estarei assim,um lema, a esperança que brota do meu coração jamais será indiferente a este símbolo de vida por vida.Aconselho a ver este simples vídeo,aqui esta a alma do soldado da paz.
Lisa

segunda-feira, setembro 05, 2011

Os dias vão passando e o verão parece que nos deixou,paira no ar a brisa de Setembro que trás a saudade do mar,do rio e da serra.Ao entrar neste mês vou rebuscar o livro da vida escrever nele na página que tenho sempre em branco, pensar nas coisas que fiz,outras que deixei por fazer por falta de tempo.As palavras...essas as digo sempre de coração aberto, mesmo que custem  tenho que as dizer.Mas Setembro tem seus encantos,o cheiro das uvas no lagar,o caminhar até a serra,olhar os pastores com suas ovelhas,tomar o meu chá pelas tarde,e tanto para fazer nas tardes frias,como ler aquele livro embrulhada na manta de lã.
Só deixei o olhar nas casas piscatórias,  nos barcos no cais, o cheiro do sargaço pela manhã ,o sol poente que queima o olhar pelo fim da tarde,dos sorrisos abertos,sim porque a vida sem sorrisos e esperança não tem valor,é vida vazia.
O meu livro está sempre comigo,tenho sempre uma página em branco para escrever nele,vou tentando o fazer até que um dia venha um neto e pergunte! Me diz algo de ti que eu não saiba e como eras.Então lhe direi,sempre gostei de ser livre de pensamento,gosto de amar as coisas as pessoas,dei o melhor de mim nos anos áureos da vida,nunca fugi aõs desafios,adoro os meus filhos o meu marido.Amo a natureza e tudo que ela tem,não tenho tanta fé nos homens que dão cabo do mundo em prol do dinheiro,a esses tenho compaixão,um dia virá alguém lhe pedir contas do mal que causou ao mundo com suas mentiras, hipocrisia,deslealdade,guerras,fome,e um sem nome de coisas.
Quem ama e sabe dar amor, tem a consciência tranquila dorme descansado,sem pensar que fez mal e não cumpriu com aquilo que foi destinado como ser humano
Lisa















sexta-feira, setembro 02, 2011


Procuro-te  - Procuro a ternura súbita, os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo, o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce, um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria. Oh, a carícia da terra,
a ...juventude suspensa, a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido. Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina as coisas mais simples: o pão e a água,
a cama e a mesa, os pequenos e dóceis animais, onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio. Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz. Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama, não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho. Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças, dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te. Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama, com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade,in,palavras Interditas